Governo chinês poderia ajudar a Europa por meio dos eurobônus

Autoridades concordam que a estabilidade europeia é importante para a China estabilizar a própria economia

PEQUIM , O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2011 | 03h03

Yao Ling, do instituto de pesquisa sobre comércio internacional e cooperação econômica do Ministério do Comércio da China, afirmou que o país poderia ajudar a Europa por meio de eurobônus (bônus emitidos em conjunto pelos 17 membros da zona do euro), enquanto diversifica suas reservas internacionais. A declaração foi feita em um artigo publicado pelo International Business Daily.

O pesquisador diz que a China precisa ajudar a União Europeia, que é o maior parceiro comercial do país. "Auxiliar a UE pode ajudar a estabilizar a demanda pelas exportações chinesas", comentou, acrescentando que a maior segurança dos eurobônus ajudaria a China a diversificar seus investimentos de risco.

A China deveria ajudar a Europa por meio do Fundo Monetário Internacional (FMI), mesmo que os eurobônus não sejam introduzidos no curto prazo, na opinião de Yao.

Já Andrew Sheng, conselheiro-chefe da Comissão de Regulação Bancária da China, diz que um rompimento ou desaparecimento da zona do euro não é provável, apesar da piora na crise da dívida soberana no bloco. Para ele, os países que fazem parte da união monetária devem adotar medidas para resolver seus problemas fiscais e estruturais.

"O euro vai se manter, mas existirão cenários muito conturbados pela frente", avalia Sheng, que descarta a ideia de que a China pode ajudar os países da zona do euro com suas reservas internacionais, de quase US$ 3,2 trilhões.

Para o consultor, a perspectiva econômica para a China não está clara, e as exportações devem enfrentar mais dificuldades, com a projeção para a economia global se tornando cada vez mais sombria com a desaceleração dos países desenvolvidos.

Juro chinês. As autoridades chinesas podem gradualmente cortar as taxas do compulsório bancário e reduzir as taxas de juros básicas no primeiro semestre de 2012, já que o crescimento da economia da China deverá se desacelerar para 8,7% no próximo ano, na opinião de Fan Jianping, economista-chefe da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma.

O investimento em ativos fixos da China vai crescer mais de 21% em 2012, o que será um grande impulso para a economia nacional, nas projeções de Fan.

Segundo o economista Fan, a China deveria dar continuidade a suas políticas fiscais proativas e às políticas monetárias prudentes para garantir um crescimento econômico estável. No ano passado, a China teve expansão de 10,3% na economia. / DOW JONES NEWSWIRES

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