Governo começa a discutir segunda fase do ajuste fiscal

Governo começa a discutir segunda fase do ajuste fiscal

Estratégia do Planalto é tentar mostrar que ajuste não se resume a elevar imposto e cortar gastos, mas inclui a retomada do crescimento

TÂNIA MONTEIRO, VERA ROSA, O Estado de S.Paulo

12 de março de 2015 | 02h00

BRASÍLIA - Apesar de todas as dúvidas que ainda pairam sobre a aprovação das medidas de ajuste fiscal anunciadas pelo ministro Joaquim Levy, o governo começa a discutir a segunda etapa do programa. Ontem, a presidente Dilma Rousseff se reuniu no Palácio do Planalto com Levy e com o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, para iniciar as conversas sobre a nova etapa do ajuste fiscal.

"É preciso mostrar que o ajuste do governo não se resume a aumentar imposto e fazer cortes nos benefícios", disse um interlocutor da presidente. "É preciso informar aos investidores estrangeiros e brasileiros como e quando o Brasil vai voltar a crescer", informou uma outra fonte.

Nesta nova etapa, o governo quer preparar a retomada do crescimento, que consiste em buscar o novo papel do BNDES, já que não haverá mais aportes do Tesouro para o banco, e incentivar novos instrumentos de capitalização para fazer a iniciativa privada e as empresas estrangeiras voltarem a acreditar e a investir no País. Inclui ainda a aceleração na retomada do programa de concessões.

O objetivo do Planalto é dar sinais de que está em busca de novas medidas para permitir que o País volte a crescer. Um dos principais alvos desse sinal que o governo quer dar seriam as agências de classificação de risco, para que elas vejam a real disposição do governo em cumprir suas metas econômicas.

Com a garantia do grau de investimento no País, os fundos de pensão internacionais, por exemplo, e outros investidores internacionais retornariam ao Brasil. A estratégia do governo é tentar reverter o mau humor contra o País, que tomou conta dos mercados nacional e internacionais.

Dificuldades. A primeira fase do ajuste fiscal, basicamente de busca por mais receitas e cortes de gastos, é considerada a mais difícil pelo governo, e enfrenta algumas dificuldades, principalmente no Congresso. O corte no Orçamento, que virá depois da aprovação do texto pelos parlamentares, ainda faz parte desta primeira fase.

O governo está convencido de que precisa colocar em prática o quanto antes essas novas medidas para viabilizar o cumprimento da meta de superávit primário de 1,2 % do Produto Interno Bruto (PIB) e dar sinais também para o exterior, no momento em que as agências de risco estão visitando o País e podem ajudar nesse processo, se endossarem a política econômica em curso.

Segundo auxiliares de Dilma, não haveria mais, neste momento, medidas de aumento de imposto, mas sim dar prosseguimento às tentativas de encontrar formas de melhorar a arrecadação para que o governo consiga garantir o superávit.

A reunião no Palácio do Planalto entre Dilma, Levy e Barbosa aconteceu antes de a presidente embarcar para uma visita ao Acre.

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