MARCOS CORRÊA/PR
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Para garantir votos na Previdência, Planalto tira cargos de deputados 'infiéis'

'Punição' a parlamentares que votaram contra a reforma trabalhista começou ontem, atingindo pelo menos 30 deputados de partidos da base aliada; entre os que perderam cargos estão aliados de Renan Calheiros e do presidente do Senado, Eunício Oliveira

Vera Rosa e Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo

01 de maio de 2017 | 21h54

BRASÍLIA - Na tentativa de aprovar a reforma da Previdência, o governo iniciou ontem um dos seus movimentos mais agressivos. Deputados que votaram contra o Planalto na semana passada, na reforma trabalhista, começaram a ver seus ‘afilhados políticos’ serem exonerados de cargos públicos. 

Com isso, o governo quer deixar claro que haverá punições aos parlamentares da base aliada que votarem contra o projeto da Previdência. Segundo interlocutores do Palácio do Planalto, as demissões de ontem atingiram indicações de mais de 30 parlamentares de partidos da base aliada, entre eles, PP, PTN, PSD, PSB e até do PMDB, legenda do presidente Michel Temer.

A maioria dos exonerados será substituída por “adjuntos”. Desta forma, a decisão poderá ser revertida se os deputados considerados “infiéis” mudarem de posição. Esta “primeira fase” da retaliação atinge apenas indicados para cargos de órgãos federais nos Estados. Mas há a possibilidade de uma segunda fase atingir diretamente os cargos em ministérios. 

As exonerações foram acertadas pelos líderes dos partidos aliados com ministros e o próprio presidente Temer. “Muitos deputados reclamaram que estavam votando com o governo, arcando com o desgaste, enquanto outros votavam contra as reformas e não sofriam nada”, afirmou o líder da maioria na Câmara, Lelo Coimbra (PMDB-ES). 

No PMDB, pelo menos dois deputados perderam cargos: Cícero Almeida (AL) e Vitor Valim (CE), o primeiro ligado ao líder do governo no Senado, Renan Calheiros (AL), e o segundo ao presidente do Senado, Eunício Oliveira (CE). Ambos votaram contra a reforma trabalhista e são contra a da Previdência. 

Indicado por Valim, Maximiano Chaves foi exonerado da superintendência da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) no Ceará. Cícero Almeida perdeu dois cargos para os quais tinha emplacado indicações em Alagoas: a superintendência regional do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) e a diretoria-geral dos Correios.

Ao Estado, o deputado alagoano afirmou que as indicações eram recentes. Ranilson Campos tinha sido nomeado superintendente regional do DNPM na semana passada, enquanto Edmilson Bezerra da Silva tinha assumido o comando dos Correios em Alagoas no início de abril. “Se o voto for moeda de troca para eles (governo), para mim não é. Mediante isso, vou votar contra a reforma da Previdência”, afirmou Almeida. 

Outro partido bastante atingido pelo corte de cargos foi o PTN. Pelo menos dois deputados da sigla perderam superintendências regionais da Funasa: Antônio Jácome (RN) e Dr. Sinval Malheiros (SP). Também perderam cargos para os quais tinham indicado aliados Conceição Sampaio (PP-AM), Ronaldo Fonseca (PROS-DF), Jony Marcos (PRB-SE) e Expedito Netto (PSD-RO). 

 

 

 

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