Governo conclui hoje pagamento ao FMI

O governo brasileiro conclui hoje o pagamento das dívidas do País junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI). Segundo comunicado divulgado pelo Banco Central, ontem mesmo foi feita uma remessa no valor de US$ 2,04 bilhões ao Fundo. Hoje, serão liquidados os US$ 13,4 bilhões restantes, perfazendo o total de US$ 15,44 bilhões.Ainda de acordo com o Banco Central, do valor total entregue ao FMI 59% (US$ 9,09 bilhões) são dólares; 25% (US$3,94 bilhões) foram pagos em euros; 9% (US$ 1,34 bilhão) em ienes e 7% (1,07 bilhão) em libras esterlinas. Os recursos saíram das reservas internacionais do País.A dívida com o FMI vencia em parcelas a serem pagas até dezembro de 2007. No entanto, o governo brasileiro decidiu antecipar os pagamentos, conforme foi anunciado no último dia 13. Na ocasião, o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, divulgou nota afirmando que a quitação da dívida com o FMI foi possibilitada pela melhora dos fundamentos da economia brasileira. Na mesma nota, o ministro informou que a quitação da dívida não prejudicaria a relação do Brasil com o FMI. PPI - O país é sócio do fundo, e nessa condição continuará participando de discussões sobre a atuação do organismo multilateral. Um exemplo é o Projeto Piloto de Investimentos (PPI), que o Fundo está testando no Brasil e em vários outros países membros. O PPI permite que alguns investimentos não sejam levados em conta no cálculo do resultado primário do setor público.A decisão de quitar antecipadamente a dívida, classificada de "histórica" pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, foi enfaticamente comemorada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Acabou o tempo da colonização deste País, viramos donos do nosso nariz", afirmou ele na última terça-feira, durante inauguração do aeroporto de Macapá. "Temos dinheiro, exportação, produção e, agora, vamos nos autoadministrar sem precisar de imposição."Independência - Desde o início, o governo Lula procurou marcar uma postura de independência com relação ao FMI. A meta de superávit primário (economia de recursos para pagamento da dívida) foi elevada de 3,75% do Produto Interno Bruto (PIB) para 4,25% do PIB por decisão do governo brasileiro, segundo anunciou à época o ministro Antonio Palocci. A intenção inicial era manter um programa com o FMI apenas ao longo de 2003, como cumprimento de um acordo assinado durante a transição entre os governos Fernando Henrique Cardoso e Lula. No entanto, o acordo foi prorrogado em 2004.

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