Governo condiciona negociação com auditores ao fim da greve

Ministério do Planejamento chegou a divulgar que a greve havia sido encerrado, mas sindicato negou

Renata Veríssimo, da Agência Estado,

24 de abril de 2008 | 19h49

O governo endureceu nesta quinta-feira, 24, com os auditores fiscais e condicionou a continuidade das negociações de reajuste salarial ao fim da greve iniciada no dia 18 de março. Em uma reunião no Ministério do Planejamento, o governo atendeu a uma reivindicação da categoria, de separar da discussão salarial a definição dos critérios de avaliação para promoções dentro da carreira de auditor, mas avisou que não vai avançar na proposta já apresentada aos auditores sem o fim da paralisação.  O Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Unafisco) irá realizar uma assembléia nesta sexta para discutir a posição do governo. Mas o presidente da entidade, Pedro Delarue, disse que a votação sobre o fim ou não da greve só ocorrerá na próxima semana. A proposta do governo, que prevê reajustes escalonados até 2010, já foi rejeitada em assembléia na semana passada. A assessoria de imprensa do Ministério do Planejamento chegou a informar nesta quinta que os auditores aceitaram terminar a greve. Mas Delarue afirmou que a categoria não assumiu nenhum compromisso com o governo. "Até porque o Ministério do Planejamento não nos deu nenhuma garantia de que pode melhorar a proposta se o movimento acabar", disse o presidente do Unafisco. "Por enquanto, a paralisação continua", afirmou.  O principal entrave a um acordo, conforme reconhece a diretoria do Unafisco, é a mudança no cronograma de implementação dos reajustes salariais, estendido pelo governo até 2010, em função do fim da CPMF. Ontem os auditores promoveram atos públicos em todo País e estiveram no Congresso Nacional solicitando apoio ao movimento. Participaram da reunião com os auditores, o secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, e o secretário de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento, Duvanier Paiva. A assessoria de imprensa do Ministério do Planejamento anunciou também que já está na Casa Civil da Presidência da República um projeto de lei que será encaminhado ao Congresso Nacional com o plano de cargos e salários de 16 categorias, que representam cerca de 800 mil servidores, entre os quais professores universitários e de escolas técnicas, Policia Rodoviária Federal, agentes administrativos da Polícia Federal, fiscais federais agropecuários e funcionários da Abin (Agência Brasileira de Inteligência).

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