Governo confirma adiamento do leilão do trem-bala por pelo menos um ano

Segundo o ministro dos Transportes, a licitação corria o risco de ter apenas o consórcio francês como participante

Anne Warth e Eduardo Rodrigues, da Agência Estado,

12 de agosto de 2013 | 16h30

BRASÍLIA - O ministro dos Transportes, César Borges, acaba de confirmar o adiamento do leilão do Trem de Alta Velocidade (TAV), o trem-bala, que vai ligar São Paulo, Campinas e Rio de Janeiro, "por pelo menos um ano". A entrega de propostas de empresas interessadas no projeto estava marcada para o dia 16 de agosto, e o leilão para a escolha do operador e da tecnologia ocorreria no dia 19 de setembro.

"Não vamos determinar prazo. Não vamos fixar novas datas", afirmou. De acordo com Borges, o governo percebeu que o processo caminhava para que apenas um consórcio participasse da licitação, o francês.Segundo ele, uma licitação com apenas um concorrente poderia sofrer questionamentos.

Borges informou que alguns grupos interessados, como espanhóis e alemães, solicitaram ao governo que adiasse o processo para encontrar parceiros nacionais para seus consórcios.

Franceses. O presidente da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), Bernardo Figueiredo, reconheceu que, com o adiamento, existe o risco de os franceses desistirem do projeto. O consórcio francês era o único confirmado para o leilão marcado para o dia 19 de setembro deste ano. "Mas essa desistência não é esperada", afirmou.

Figueiredo destacou que nenhum grupo solicitou alterações nas condições do edital do trem-bala que ligará Campinas a São Paulo e o Rio de Janeiro. Mas espanhóis e alemães pediram mais tempo para comporem seus consórcios. "Ao contrário das tentativas anteriores, não estamos adiando porque o projeto não é atrativo, mas porque mais empresas querem participar e precisam de prazo", argumentou.

Ele usou como exemplo a alemã Siemens, que a princípio não iria participar da disputa, mas mudou de ideia. "A Siemens não é investidora, por isso pediu mais prazo para conseguir levantar o capital necessário com grupos investidores", completou. Foram os alemães que pediram pelo menos mais um ano de prazo. Se por um lado há risco de o franceses saírem da disputa com a postergação, Figueiredo considerou que por outro lado os japoneses e coreanos possam voltar para concorrência.

Segundo ele, a indefinição sobre a tecnologia do trem que trafegará na linha não prejudica o cronograma de elaboração do projeto-executivo do empreendimento. "Os estudos para o projeto continuam porque a interferência da tecnologia escolhida não é muito significativa. Além disso, é conveniente que tenhamos linha capaz de operar com qualquer tecnologia", acrescentou.

Borges garantiu ainda que adiamento do leilão não tem relação com denúncias de cartel em licitações metrôs de São Paulo e Distrito Federal, envolvendo empresas diretamente relacionadas com a disputa pelo TAV. Figueiredo completou que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que investiga o caso, não colocou nenhum impedimento para a realização da concessão do trem-bala.

 

Tudo o que sabemos sobre:
trem bala

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.