Governo confirma desvalorização em 28,57%

O governo argentino desvalorizou o peso em 28,57% frente ao dólar e fixou dois tipos de câmbio, um oficial, para todas as operações comerciais e de compensação, e outro câmbio livre para o turismo. A partir de agora, um dólar é igual a 1,40 peso na Argentina, depois de mais de 10 anos de paridades entre as duas moedas. O objetivo do governo argentino é adotar a flutuação do câmbio, com o tempo. É feriado bancário na Argentina nestas segunda e terça-feiras, mas o mercado oficial de câmbio volta a funcionar na quarta-feira, depois desemanas sem operar. Os anúncios foram feitos na noite deste domingo pelo ministro argentino da Economia, Jorge Remes Lenicov. Ele falou à nação logo após a aprovação do plano deemergência financeira pelo Congresso.Em relação á restrição para movimentações bancárias, ele pediu mais alguns dias de paciência à população para que o governo possa definir como flexibilizará o acesso dosargentinos a recursos depositados nos bancos. Desde o fim de novembro, os argentinos só podem sacar de suas contas um total de mil pesos. O acesso aos salários deverá ser o primeiro item a ser flexibilizado, o que significa que aos poucos aumentará o acesso dos argentinos ás contas em que são depositados os salários. Depois, serão liberados paulatinamente os recursos de aplicações a prazo fixo e poupança. ?Precisamos de alguns dias para definir como vamos manejar a questão da restrição. Lenicov garantiu que nenhum poupador argentino será prejudicado, pois receberá seus recursos na mesma moeda em que foram depositados. Ele reiterou que as dívidas até US$ 100 mil serão revertidas para peso na proporção de um para um. Para montantesacima desse valor, o governo vai estudar, já nesta semana, mecanismos compensatórios, como o alongamento dos prazos de pagamento das dívidas e/ou uma redução nos juros das dívidas.Lenicov informou que o sistema financeiro também será compensado pelas perdas forçadas pela desvalorização do peso. Ele disse que conversará com todos os setoresque pediram exceção á nova lei econômica que rege o país. Uma das formas de compensação será feita com a arrecadação de um imposto sobre exportação de derivados de petróleo.Lenicov garantiu á população argentina que as tarifas publicas serão desdolarizadas. Mas destacou que começará a renegociar com as empresas, formas de executar essa desindexação. Lenicov reiterou que governos e empresas estrangeiros, com destaque para a Espanha, pressionaram o governo argentino contra a desvalorização, por julgarem que as perdas seriam muito grandes. A essa pressão, o governo argentino respondeu, segundo Lenicov, dizendo que este é um momento em que todos têm de fazer esforços. Durante a coletiva de imprensa, Lenicov pediu a colaboração dos países mais ricos e mais fortes para que adotem critérios mais solidários em relação a situação vivida pela Argentina neste momento.Leia o especial

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