Governo confirma foco de aftosa em rebanho no Paraná

O Ministério da Agricultura confirmou nesta terça um foco de febre aftosa no rebanho do Paraná, depois de mais de um mês de suspense. Hoje, o governo brasileiro comunicou à Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) e aos países importadores sobre a existência da doença. A propriedade onde foi descoberta a doença fica no município de São Sebastião da Amoreira, no Noroeste do Estado. A fazenda paranaense recebeu 200 animais de Eldorado, no Mato Grosso do Sul, primeiro município a ter um foco de aftosa neste ano. Com o registro no Paraná, sobe para 29 o número de casos da doença no País."Dos 200 animais que vieram de Eldorado, 22% foram reagentes ao teste", disse o chefe do Departamento de Sanidade Animal do ministério, Jamil Gomes de Souza.Os testes que detectaram a aftosa foram feitos pelo Laboratório de Referência Animal (Lara) do Rio Grande do Sul. "Encontramos novos sinais clínicos e a sorologia é positiva. Reconhecemos esta situação e continuamos investigando", ressaltou o secretário de Defesa Agropecuária, Gabriel Alves Maciel. Desde o dia 21 de outubro, o ministério investiga a possibilidade de ocorrência da doença em cinco municípios do Paraná: Grandes Rios, Amaporã, Maringá, Loanda e Bela Vista do Paraíso.Para conter a doença em São Sebastião da Amoreira, uma área de 10 quilômetros a partir da fazenda onde foi descoberto o foco está interditada. Por medida de precaução, outros municípios do Paraná onde há suspeita da doença também continuarão interditados, ou seja, proibidos de comercializar animais vivos, carnes e leite. O rebanho total do Paraná é estimado em 10 milhões de cabeças.Para o secretário Maciel, a estratégia para sacrifícios dos animais doentes e daqueles que podem ter tido contato será definida pelo governo do Estado. Sem o sacrifício dos animais, a liberação para exportação pode demorar até 18 meses. Com os sacrifícios, a retomada do comércio exterior pode acontecer em seis meses. "Os Estados têm suas legislações", disse Maciel. Ele lembrou que o Mato Grosso do Sul, onde foram descobertos 28 focos de aftosa, optou pelo sacrifício dos rebanhos.Sobre a posição dos compradores de carne em relação à aftosa no Paraná, o secretário disse que não espera impacto econômico para as exportações. Isso porque os 52 países que limitaram as compras de carne do Brasil depois dos focos do Mato Grosso do Sul também restringiram as compras do Paraná.O secretário negou, em entrevista coletiva, que o ministério tenha pedido ao Paraná que assumisse o registro da doença. Ele não quis comentar a posição do governo do Paraná, que ameaça ir à Justiça contra o ministério. "Eu respeito a posição de cada estado", disse ele, evitando polêmica.O secretário confirmou que se reuniu na segunda-feira com vice-governador e secretário de Agricultura, Orlando Pessuti, mas ressaltou que não houve nenhum tipo de acordo com o governo do Estado. "Se fosse uma decisão política teríamos anunciado antes. É uma decisão estritamente técnica", disse.Ele acrescentou que a Medida Provisória 265 prevê R$ 10 milhões para indenizações no Paraná e outros R$ 10 milhões para o Mato Grosso do Sul. Maciel fez questão de ressaltar que o Ministério da Agricultura vai apoiar o Paraná, independente de qualquer reação do governo local. "Vamos colocar a nossa estrutura para que o Paraná possa sair o mais rápido dessa situação", disse.

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