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Governo considera que Moody's se precipitou ao rebaixar o País

Segundo fontes, expectativa do Planalto é recuperar as notas de crédito das três agências que rebaixaram o Brasil até o fim do ano

Carla Araújo e Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

24 Fevereiro 2016 | 16h20

BRASÍLIA - No Palácio do Planalto, a notícia do rebaixamento do rating do Brasil pela agência Moody's foi relativizada e considerada "precipitada", segundo interlocutores da presidente Dilma Rousseff. De acordo com fontes, a agência de classificação de risco já tinha feito alertas ao governo desde a semana passada de que poderia rebaixar a nota do Brasil.Entretanto, para o Planalto, a agência decidiu "ignorar" sinais positivos, como a melhora do setor externo. 

A expectativa do governo é que até o final deste ano o País consiga recuperar as notas de crédito tanto da Moody's, como da Standard & Poor's (S&P) e da Fitch, que já haviam rebaixado a nota do Brasil. "É uma fase de dificuldade, mas o governo acredita que há bons sinais tanto na esfera econômica como política", afirma uma fonte. 

Dilma, que cancelou viagem ao Rio para acompanhar as votações do dia no Congresso, aproveitou o dia em Brasília para conversar com ministros sobre o rebaixamento e se queixou da decisão tomada pela agência, menos de uma semana depois da S&P. Apesar de o governo tentar minimizar o episódio, a notícia desagradou a presidente, que não só está pessoalmente empenhada, mas tem pedido cooperação da sua equipe para conseguir reverter o quadro econômico e trabalhar para retomar o crescimento.

Segundo um interlocutor, o governo considera que as agências de classificação de risco estão atuando para pressionar países emergentes a adotar a cartilha neoliberal. "As agências querem usar a mesma faca do Fundo Monetário Internacional (FMI) para forçar os emergentes a adotar uma política econômica mais ortodoxa", explicou. 

Em sua argumentação, a Moody's afirmou que o rebaixamento foi motivado pela perspectiva de mais deterioração nas métricas de crédito do Brasil, em um ambiente de baixo crescimento, com a dívida do governo podendo superar 80% do Produto Interno Bruto (PIB) dentro de três anos. 

Já o governo, entre as razões para justificar uma suposta melhora nas contas, destaca principalmente os dados externos como o déficit das transações correntes que foi o menos da série histórica desde 2010, ao somar US$ 4,817 bilhões em janeiro e acumular déficit de US$ 51,6 bilhões em 12 meses (equivalente a 2,94% do PIB). "A Moody's ignorou esses resultados positivos", afirmou uma fonte do Planalto.

Interlocutores da presidente Dilma destacam ainda a importância das reservas internacionais que totalizam US$ 369,8 bilhões em janeiro, o que representaria um aumento de US$ 1 bilhão em relação ao mês anterior. "Além disso, a agência também ignorou o esforço que governo vem fazendo em relação ao ajuste fiscal", disse um assessor palaciano. 

Desafio político. A agência Moody's citou também, em seu comunicado, a "dinâmica política desafiadora", que continua a complicar os esforços de consolidação fiscal das autoridades e a atrasar as reformas estruturais para justificar o rebaixamento.

Também neste quesito a avaliação do governo é que a agência não observou as recentes melhoras na relação política, como, por exemplo, a "vitória" do governo com a recondução do deputado Leonardo Picciani (PMDB-RJ) à liderança do PMDB. "Está sendo feito um trabalho importante de reestruturação da base do governo, que foi ignorado pela agência", afirmou.  

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