Reuters
Reuters

carteira

As ações mais recomendadas para dezembro, segundo 10 corretoras

Governo considera que Moody's se precipitou ao rebaixar o País

Segundo fontes, expectativa do Planalto é recuperar as notas de crédito das três agências que rebaixaram o Brasil até o fim do ano

Carla Araújo e Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

24 de fevereiro de 2016 | 16h20

BRASÍLIA - No Palácio do Planalto, a notícia do rebaixamento do rating do Brasil pela agência Moody's foi relativizada e considerada "precipitada", segundo interlocutores da presidente Dilma Rousseff. De acordo com fontes, a agência de classificação de risco já tinha feito alertas ao governo desde a semana passada de que poderia rebaixar a nota do Brasil.Entretanto, para o Planalto, a agência decidiu "ignorar" sinais positivos, como a melhora do setor externo. 

A expectativa do governo é que até o final deste ano o País consiga recuperar as notas de crédito tanto da Moody's, como da Standard & Poor's (S&P) e da Fitch, que já haviam rebaixado a nota do Brasil. "É uma fase de dificuldade, mas o governo acredita que há bons sinais tanto na esfera econômica como política", afirma uma fonte. 

Dilma, que cancelou viagem ao Rio para acompanhar as votações do dia no Congresso, aproveitou o dia em Brasília para conversar com ministros sobre o rebaixamento e se queixou da decisão tomada pela agência, menos de uma semana depois da S&P. Apesar de o governo tentar minimizar o episódio, a notícia desagradou a presidente, que não só está pessoalmente empenhada, mas tem pedido cooperação da sua equipe para conseguir reverter o quadro econômico e trabalhar para retomar o crescimento.

Segundo um interlocutor, o governo considera que as agências de classificação de risco estão atuando para pressionar países emergentes a adotar a cartilha neoliberal. "As agências querem usar a mesma faca do Fundo Monetário Internacional (FMI) para forçar os emergentes a adotar uma política econômica mais ortodoxa", explicou. 

Em sua argumentação, a Moody's afirmou que o rebaixamento foi motivado pela perspectiva de mais deterioração nas métricas de crédito do Brasil, em um ambiente de baixo crescimento, com a dívida do governo podendo superar 80% do Produto Interno Bruto (PIB) dentro de três anos. 

Já o governo, entre as razões para justificar uma suposta melhora nas contas, destaca principalmente os dados externos como o déficit das transações correntes que foi o menos da série histórica desde 2010, ao somar US$ 4,817 bilhões em janeiro e acumular déficit de US$ 51,6 bilhões em 12 meses (equivalente a 2,94% do PIB). "A Moody's ignorou esses resultados positivos", afirmou uma fonte do Planalto.

Interlocutores da presidente Dilma destacam ainda a importância das reservas internacionais que totalizam US$ 369,8 bilhões em janeiro, o que representaria um aumento de US$ 1 bilhão em relação ao mês anterior. "Além disso, a agência também ignorou o esforço que governo vem fazendo em relação ao ajuste fiscal", disse um assessor palaciano. 

Desafio político. A agência Moody's citou também, em seu comunicado, a "dinâmica política desafiadora", que continua a complicar os esforços de consolidação fiscal das autoridades e a atrasar as reformas estruturais para justificar o rebaixamento.

Também neste quesito a avaliação do governo é que a agência não observou as recentes melhoras na relação política, como, por exemplo, a "vitória" do governo com a recondução do deputado Leonardo Picciani (PMDB-RJ) à liderança do PMDB. "Está sendo feito um trabalho importante de reestruturação da base do governo, que foi ignorado pela agência", afirmou.  

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.