Governo conversará com coreanos e chineses, diz Pimentel

Para ministro, alta do IPI vai incentivar instalação de empresas no País; chineses destacam potencial do mercado

LISANDRA PARAGUASSU , ENVIADA ESPECIAL / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

21 de setembro de 2011 | 03h06

O governo vai conversar com as montadoras coreanas e chinesas para garantir que elas mantenham seus planos de investimento no Brasil, disse ontem o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel.

"A JAC não vai sair. Vamos conversar com todos eles." Na sua avaliação, a elevação de 30 pontos porcentuais do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) nos veículos com baixo índice de componentes nacionais não afastará investimentos.

"Ao contrário, acho que vamos incentivar que as empresas venham investir no País e, mais do que isso, aquelas que já tinham decidido investir venham mais rapidamente." Ele acrescentou que basta a essas montadoras produzir no Brasil para escapar do aumento do IPI.

Em Pequim, Wang Zhile, diretor do centro de pesquisas para corporações transnacionais, ligado ao Ministério do Comércio da China, endossa a opinião do ministro. Ele acredita que a elevação do IPI para veículos importados deverá estimular os investimentos de montadoras chinesas no Brasil. "O potencial de mercado e o sucesso das exportações chinesas ao Brasil criaram uma oportunidade madura para os atores domésticos produzirem carros lá", disse Wang ao jornal oficial China Daily.

A declaração de Wang contrasta com as críticas de representantes da indústria, para os quais a elevação do IPI tornará inviáveis os planos das montadoras. O vice-secretário-geral da Associação de Carros de Passageiros da China, Cui Dongshu, criticou o índice de nacionalização de 65% e disse que o porcentual de conteúdo local deveria ser elevado de maneira gradativa. "Eles não deveriam adotar uma medida tão radical. Isso é um problema sério, e os fabricantes chineses vão pensar antes de dar o próximo passo", disse Cui ao Estado.

Apesar da insatisfação com a medida, o representante dos fabricantes não acredita que seus associados vão questionar a elevação do IPI. "Nós chineses não gostamos de briga nesse tipo de questão. Nós queremos resolver os problemas na prática." Na avaliação de Cui, a rapidez com que a decisão foi adotada coloca em xeque a credibilidade do governo brasileiro. "Se eles decidirem aumentar o porcentual para 80%, o que nós vamos fazer?"

Cui também criticou o momento em que a medida foi imposta, em meio à retração dos mercados desenvolvidos por causa da crise na Europa e Estados Unidos. "Qualquer medida protecionista não afeta só o país envolvido, mas todo o mundo."

De Nova York, o ministro Fernando Pimentel nega que a medida tenha caráter protecionista, já que as importações não foram proibidas. Segundo o ministro, a medida não contraria regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), embora países que se sentirem lesados possam recorrer ao tribunal internacional. "Eu acho que não vai haver isso, acho que estamos indo bem." / COM CLÁUDIA TREVISAN, DE PEQUIM

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.