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Governo corta previsão de alta do PIB em 2017 para 1%

Revisão foi anunciada pelo novo secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Fabio Kanczuk, e fica em linha com a expectativa dos analistas

Eduardo Rodrigues, Idiana Tomazelli e Lorenna Rodrigues, O Estado de S.Paulo

21 Novembro 2016 | 17h37

O governo federal admitiu oficialmente que os números previstos anteriormente para a economia brasileira não serão alcançados. A previsão para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2017 foi reduzida de 1,6% para 1%. Para este ano, a projeção de uma queda de 3% ficou pior: agora, prevê-se uma contração de 3,5%.

O anúncio aconteceu no mesmo dia da reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o Conselhão, onde os empresários mostraram pessimismo com a recuperação da economia no ano que vem. 

O novo secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Fábio Kanczuk, atribuiu a piora nas projeções principalmente ao crédito para as empresas. “O crédito está mais caro, e esse é um indicador do risco que o setor bancário percebe nas empresas”, disse. “Crédito mais caro é um fenômeno natural de todos os processos recessivos. A lucratividade das empresas é ligada à atividade econômica e cai quando a economia cai. E como o lucro caiu, as empresas estão relativamente mais endividadas.” Segundo ele, a dimensão desse efeito só ficou mais clara agora.

Ele também mencionou a confiança baixa como uma das causas da revisão. “O que realmente causou essa recessão foi a queda da confiança, e para saber o que vai acontecer, é preciso saber o que vai acontecer com essa confiança”, disse. “A queda da confiança foi causada por questões fiscais. A questão fiscal é o âmago de tudo. Resolvendo o fiscal, a gente resolve questão de confiança do empresário e economia retoma.”

Já a eleição de Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos tem efeito zero nas projeções de crescimento da economia brasileira, disse, porque há impactos ambíguos, como depreciação do real e saída de capitais do Brasil por um lado, mas maior demanda por minério de ferro por outro.

Há três meses, a equipe econômica tinha aumentado a previsão de expansão do PIB de 1,2% para 1,6%. Quando houve a revisão para um número maior, em agosto, a estimativa da equipe econômica era de uma arrecadação a mais de R$ 14,2 bilhões com a atividade mais forte. Esse incremento na receita seria parte do “esforço adicional” feito pelo governo para evitar a saída via impostos para equilibrar as contas.

No entanto, Kanczuk disse ser “prematuro” concluir que a arrecadação do ano que vem cairá por conta da expectativa de atividade mais fraca. Segundo ele, o PIB é influenciado também por fatores como câmbio e massa salarial. Kanczuk disse também que a revisão das receitas orçamentárias pelo governo só será feita no primeiro trimestre de 2017 e que a tendência é o Congresso Nacional aprovar o Orçamento com as previsões atuais, já defasadas.

Para a economista-chefe da ARX Investimentos, Solange Srour, com a mudança na projeção do PIB de 2017, o governo terá de contingenciar cerca de R$ 50 bilhões se não quiser elevar impostos. “Contudo, a repatriação de recursos e valores obtidos com concessões públicas podem reduzir esse montante do contingenciamento”, disse. Um contingenciamento maior, no entanto, contrariaria o que vem sendo defendido pela equipe econômica. / COLABOROU RICARDO LEOPOLDO

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