Governo cortará gastos para conter inflação, diz Mantega

Ministro da Fazenda crava meta de superávit primário em 4,3% e nega novas ações para reduzir o crédito no País

Fabio Graner, Adriana Fernandes e Fernando Nakagawa, da Agência Estado,

19 de junho de 2008 | 16h01

O governo avaliou nesta quinta-feira, 19, que as medidas já adotadas para controlar a inflação "têm tido eficácia", e confirmou a meta de superávit primário de 4,3% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano. A informação foi dada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, que negou novas medidas para reduzir o crédito no País e disse que o aumento do esforço fiscal se dará por meio do corte nas despesas do governo.   Veja também: Para governo, inflação no País começa a desacelerar em agosto Inflação precisa de uma força-tarefa do governo A inflação e a estratégia para 2010 Entenda a crise dos alimentos  Entenda os principais índices de inflação    Segundo Mantega, ações como o esforço adicional de 0,5 ponto porcentual do primário, aumento da taxa básica de juros (Selic), elevação das alíquotas do IOF, criação de compulsório para depósitos interbancários de arrendamento mercantil e desoneração da Cide sobre combustíveis e de tributos sobre o trigo, são "medidas eficientes".   Ele explicou que essas decisões reduzem a demanda agregada e também têm efeito na desaceleração do ritmo de expansão do crédito. Esse conjunto de medidas, segundo Mantega, tem como objetivo "manter a demanda que garanta um crescimento do PIB em torno de 5%".   O ministro ressaltou que o governo trabalha para elevar a oferta na economia. Ele lembrou que o governo lançou a política industrial para baratear o custo do investimento e ressaltou que estão em gestação medidas para expansão da oferta de produtos agrícolas no âmbito do Plano Safra 2008/2009, que deve ser lançado, segundo ele, em 2 de julho. "A inflação se combate com aumento de oferta", disse Mantega.   Mantega avaliou ainda que é difícil para o governo fazer um superávit primário das contas do setor público maior do que os 4,3% do PIB. Em referência ao aumento de 0,5% no superávit primário para este ano - de 3,8% para 4,3%, anunciado recentemente, ele ressaltou que o governo vai reduzir despesas sem prejudicar os investimentos prioritários feitos no PAC.   Ele comentou que o aumento do superávit primário é muito importante para reduzir a demanda agregada na economia, que traz impactos para a inflação.   Crédito   O ministro afirmou também que não há necessidade de medidas adicionais para redução do crédito. Ele ponderou que as medidas já adotadas levam tempo para fazer efeito. Ele citou, como exemplo, o aumento do compulsório do leasing que terá efeito máximo somente daqui a seis meses. Mantega afirmou ainda que o governo já detectou uma redução do crédito na economia.   Ele observou que as decisões tomadas até agora buscam combater a inflação sem perder de vista a necessidade de manter as condições de crescimento da economia "Não é para acabar com a demanda, é para desacelerar o ímpeto da demanda".   'Choque de preços'   O ministro afirmou que, o mundo enfrenta atualmente o maior choque de preços desde 1970. "Preços agrícolas, do petróleo e dos metálicos, todos subindo ao mesmo tempo", disse. O ministro ponderou, entretanto, que o Brasil está numa situação melhor do que outros países, com a economia continuando a crescer. "A rigor, a economia continua crescendo e, em outros países a atividade econômica desacelerou. Aqui, continuamos com crescimento satisfatório", reforçou.   Em entrevista após a reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, integrantes da equipe econômica e economistas de fora do governo, Mantega disse que, apesar da alta da inflação, o País continua cumprindo as metas do governo. Segundo ele, tratou-se de uma reunião rotineira para se avaliar a conjuntura econômico-financeira.   Mantega destacou que o principal vetor da alta recente da inflação são os alimentos, que, segundo ele, subiram 14% nos últimos 12 meses, enquanto outros produtos juntos subiram pouco mais de 3%. "Fica nítido o papel dos alimentos na alta da inflação", afirmou.   Segundo o ministro, o Brasil vive uma combinação de elevação de preços externos, no momento em que a economia está aquecida. Essa situação, ponderou, leva à preocupação do governo de não permitir o contágio e impedir a propagação do aumento dos preços.   O ministro destacou a importância da necessidade de impedir essa propagação e ponderou que a elevação do preço do petróleo impacta outros preços, como adubos, que leva ao aumento dos preços dos alimentos. "O trabalho do governo é impedir sua propagação e tomar as medidas necessárias para atenuar o aumento da demanda", repetiu.   Ele destacou que a inflação, apesar de mais alta em 2008, deve desacelerar no ano que vem. Ele mencionou as expectativas de mercado coletadas na pesquisa Focus, que prevêem o IPCA passando de 5,8% em 2008 para 4,6% em 2009.

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