Governo cria a Embrapa Gestão Territorial

Nova unidade da Embrapa absorve centro existente em Campinas e vai atender ao monitoramento por satélite de setores do governo e da iniciativa privada

, O Estado de S.Paulo

27 de maio de 2011 | 00h00

Foi criada ontem a Embrapa Gestão Territorial, unidade da empresa que atenderá à crescente demanda de monitoramento por satélite de setores do governo e da iniciativa privada. A nova unidade absorve a tecnologia e a tradição de uma equipe da própria Embrapa, de Campinas, que há 20 anos desenvolve sistemas de controle e monitoramento de áreas estratégicas.

A princípio, o órgão terá uma gerente-geral, um adjunto e três supervisores. O temor de setores do governo e técnicos da área é que a estrutura da nova unidade não atenda à demanda. Ao criar a unidade, o Ministério da Agricultura se comprometeu a ampliar sua estrutura. "Constituímos essa unidade já com o compromisso de estar aberto à ampliação da estrutura, em termos de espaço e pessoal", afirmou ao Estado o secretário executivo da pasta, Milton Ortolan.

Ele disse que o conselho de administração da Embrapa e o ministério entenderam que a estrutura inicial da unidade é "adequada" para o atual momento. Ortolan afirmou que, a partir da próxima segunda-feira, começam os trabalhos de logística e operação da nova unidade, com promessa de aumento de espaço e funcionários. "Evidentemente, a diretoria está comprometida a fazer a ampliação. Vai depender da demanda. Pode ocorrer daqui a um mês, dois meses ou, de repente, daqui a 15 dias", completou.

Até o fim do ano passado, os técnicos atuavam num centro dentro da antiga unidade Embrapa Monitoramento por Satélite. O grupo auxiliava o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), ações de segurança na faixa de fronteira, projetos de irrigação no Nordeste e desmatamentos na Amazônia.

Por causa de disputas internas, as atividades de monitoramento foram suspensas. A notícia pegou de surpresa o governo, especialmente o Ministério do Planejamento. O trabalho discreto da equipe de técnicos de Campinas é considerado o "coração do monitoramento do PAC", nas palavras dos assessores da ministra Miriam Belchior. A análise por satélite da Embrapa é essencial ao acompanhamento das grandes obras de infraestrutura. O trabalho dispensa o envio pouco eficiente de técnicos ao local para ver o avanço das obras.

Numa intervenção do ministro da Agricultura, Wagner Rossi, a diretoria da Embrapa foi obrigada a criar a nova unidade para absorver os técnicos do centro de monitoramento e garantir autonomia para o órgão.

A uma pergunta se a intervenção do ministro garantirá que a nova unidade esteja blindada a ataques internos na Embrapa, o secretário executivo Milton Ortolan respondeu: "Sem dúvida. Isso, inclusive, foi o motivo da demora na criação da unidade. Era preciso garantir uma formatação compatível com a atividade e um ambiente de trabalho".

A nova unidade, formalizada ontem pelo Conselho de Administração da Embrapa, já nasce com demanda por serviços de órgãos públicos e empresas privadas. O trabalho de excelência desenvolvido em Campinas é utilizado por vários setores, como o agronegócio e as entidades de preservação ambiental.

A suspensão da unidade nos últimos meses coincidiu com o debate do Código Florestal. A discussão foi considerada superficial por ambientalistas e ruralistas. Indicado para assumir a nova unidade, Cláudio Spadotto diz que a criação do órgão é um "passo importante" dado pela Embrapa.

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