Governo cria fundo soberano com superávit primário

O ministro da Fazenda, GuidoMantega, anunciou nesta segunda-feira a criação do fundosoberano do Brasil, cuja principal fonte de financiamento seráo superávit primário do setor público. Segundo ele, o objetivo do fundo é "apoiar ainternacionalização das empresas nacionais no exterior". Perguntado se o fundo somaria 20 bilhões de dólares, comojá havia dito o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, e opróprio Mantega, o ministro da Fazenda foi enigmático: "Parece,mas nem tudo que parece é." "O funding do fundo soberano é basicamente o primário",acrescentou. "O fundo terá reservas orçamentárias e fiscais, poderá terreservas de valor e primárias e poderá fazer operações noexterior." Segundo notícias publicadas neste final de semana naimprensa, o governo estaria pensando em aumentar o superávitprimário deste ano dos atuais 3,8 por cento para cerca de 5 porcento e direcionar os recursos extras para o fundo. O ministro irá detalhar o funcionamento do fundo ementrevista coletiva na terça-feira, prevista para 15h. A criação do fundo foi apenas oficializada nestasegunda-feira, uma vez que o governo já havia antecipado taisplanos, mas isso não poupou a medida de críticas. Para Sérgio Werlang, vice-presidente executivo do Itaú, umfundo soberano não deveria usar recursos fiscais e sim servircomo uma alternativa para aplicação das reservasinternacionais, como ocorre em outros países. "Do ponto de vista fundamentalista, o Brasil hoje nãoprecisa ter reservas de quase 200 bilhões de dólares. Tambémnão acho apropriado usar os recursos de um fundo para investirna internacionalização de empresas. Não é a função típica de umfundo soberano. A aplicação deve ser feita em papéis de grandesempresas estrangeiras de outros países", disse ele. (Reportagem adicional de Aluísio Alves)

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