Governo criará política de apoio a alimentos, diz Stephanes

Segundo o ministro da Agricultura, plano sairá em 30 dias e incentivará a produção de trigo, arroz, milho e feijão

Fabiola Salvador, da Agência Estado,

08 de maio de 2008 | 10h36

O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, afirmou nesta quinta-feira, 8, que o presidente Luis Inácio Lula da Silva convocará uma reunião entre ministros para discutir uma política de apoio à produção de quatro produtos agrícolas considerados como "sensíveis" pelo governo. São eles: trigo, arroz, milho e feijão. Segundo ele, esse encontro deve acontecer nos próximos dez dias e a política será anunciada num prazo de 30 dias. Stephanes não disse o nome dos ministros que devem participar da reunião com Lula, mas é possível que, além dele, os ministros da Fazenda, Guido Mantega, e do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, participem do encontro.  Veja também: Especial: Entenda a crise dos alimentos Conab prevê safra de grãos recorde este ano Segundo Stephanes, a idéia do governo é estimular a produção desses produtos por meio de liberação de crédito, garantia de preço mínimo para o período de comercialização e seguro rural. No caso do feijão, por exemplo, o ministro contou que os preços subiram de R$ 60/sc para R$ 210/sc, o que teve impacto de 0,5% nos índices de inflação.  Os preços subiram, segundo ele, porque as cotações, no passado, chegaram a R$ 35/sc o que desestimulou o plantio. "Os produtores não plantaram porque os preços estavam baixos e não havia uma política de garantia de preço", afirmou ele, lembrando que a conseqüência foi a redução da oferta interna. O ministro disse que, nesse caso, o ideal seria que o governo definisse o preço mínimo de garantia entre R$ 60 e R$ 80/sc.  No caso do arroz, o ministro avaliou que esse cereal é produzido pra consumo interno na maioria dos países, e que apenas 25% da safra mundial são exportados. Só a Austrália exporta 10% desse total, mas problemas climáticos naquele país reduziram a oferta mundial. Stephanes lembrou ainda que os preços do arroz no mercado externo subiram muito mais do que no mercado interno. No exterior, os preços chegaram a subir 120% enquanto a oscilação no mercado interno foi de 35%. Mesmo diante desse quadro, ele negou que haja risco de desabastecimento e lembrou que a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) tem estoques, assim como as grandes marcas que trabalham no País. Ele disse que haveria um problema no mercado interno, caso as exportações de arroz fossem de 2 milhões de toneladas, o que não deve acontecer. O ministro estimou que a produção brasileira de grãos na safra 2008/09, que começa a ser cultivada em meados de setembro, deve crescer 5% em relação à colheita de 142,12 milhões de toneladas na safra atual. Ele observou que a área plantada com grãos tem crescido entre 1% e 1,5% ao ano nos últimos anos e que essa variação deve se repetir na próxima safra. Ele informou, no entanto, que há muita área no Brasil que pode ser incorporada ao processo produtivo. Stephanes citou, por exemplo, que esteve ontem em Tocantins, onde 4 milhões de hectares de área de cerrado poderiam ser cultivados. Crise dos alimentos O ministro comentou também a alta dos preços dos alimentos. Disse que, no médio prazo, no período de 2 a 3 anos, poderá haver uma nova alta dos preços dos alimentos, porque "há um desequilíbrio entre oferta e demanda no mundo". Stephanes ressaltou que os estoques mundiais de alimentos estão caindo. Para o curto prazo, no entanto, ele não acredita em novos aumentos de preço, pois o impacto da reduzida oferta mundial já foi absorvido pelo mercado. O ministro salientou que há 3 ou 4 anos nenhum economista, inclusive da FAO, poderia prever a alta recente dos preços dos alimentos. Ele acrescentou que o aumento dos preços é reflexo do crescimento da demanda mundial por alimentos. Milho transgênico O ministro da Agricultura afirmou ainda que vai pedir para que a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) coloque em sua pauta de discussões um pedido para liberação de importação de milho transgênico. O pedido de importação foi feito pelos produtores de aves e suínos do Nordeste em novembro do ano passado, mas não foi avaliado até o momento. Segundo o ministro, não há problemas de abastecimento do mercado interno, mas ele não descarta a possibilidade de importação no final do ano. Ele lembrou que a demanda mundial é crescente por milho e derivados e defendeu que o governo mantenha um canal permanente para importação do grão. "Devido aos custos de frete, é mais fácil importar milho do que transportar o grão do Centro-Oeste para o Nordeste", disse.

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