Governo da Bolívia expulsa empresa brasileira

O governo boliviano expulsou neste sábado o grupo responsável pela siderúrgica brasileira EBX, do empresário Eike Batista, segundo informou a Rede Globo. É a primeira expulsão de um investidor estrangeiro desde a posse do presidente Evo Morales, em janeiro. Morales acusa os empresários brasileiros de desrespeitarem as leis bolivianas. Um dos argumento é que a siderúrgica não poderia estar na região de fronteira, na Zona Franca, e sim a pelo menos 50 quilômetros para dentro do País. Isso porque, o novo governo boliviano não reconhece o regime que vigorava na Zona Franca até a gestão anterior, regras sob as quais o complexo foi montado. O outro problema é a falta da autorização de um órgão ambiental. Como na Bolívia não há agência ambiental, a licença é concedida depois de uma caracterização do empreendimento. No caso da EBX, nem isso houve, portanto, nem o estudo de impacto ambiental chegou a ser entregue, embora a empresa já o tenha concluído. Em nota, a EBX informou que já apresentou às autoridades boliviana a documentação que comprovaria sua situação legal no país. A empresa declarou ainda não ter sido notificada da decisão do governo boliviano. O que ficou em xeque com esta postura foi a própria Zona Franca, que passou no governo Evo Morales a não ter reconhecimento legal. A ira dos habitantes da região é que essa intransigência do governo resultará em abandono da área como opção para novos investimentos. Sem o "diálogo" com o governo e sem a reversão da situação, a EBX ameaça transferir seu empreendimento para outro local. A fronteira entre Brasil e Bolívia, fechada na quarta-feira, foi reaberta neste sábado depois do fim do bloqueio de moradores do lado boliviano da região. A greve em três municípios de Santa Cruz foi suspensa na noite de sexta-feira. Os moradores exigem que o presidente da Bolívia conceda a licença ambiental para a construção da siderúrgica da EBX. A empresa emprega 900 pessoas e investiu US$ 155 milhões no projeto. Perda para os dois lados Segundo a EBX, dois fornos começariam a produção de ferro gusa até o fim deste semestre. Outros dois fornos, que já começaram a ser montados, ficariam prontos até 2007. Os investimentos na primeira fase do empreendimento seriam de US$ 148 milhões. Destes, US$ 50 milhões já foram gastos. Em plena capacidade, a usina produziria 800 mil toneladas de ferro-gusa para a exportação. O sistema logístico para embarcar a produção seria a hidrovia do Rio Paraguai até o Rio Prata, de onde alcançaria o Atlântico pela Argentina.

Agencia Estado,

23 Abril 2006 | 00h15

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