Governo da Bolívia quer rever contrato com a Comgás

Depois de resolver as pendências em torno dos preços do gás vendido à Petrobras e à térmica Mário Covas, em Cuiabá, o governo da Bolívia quer agora rever o contrato de importações da britânica BG para a Comgás, distribuidora de gás canalizado da região metropolitana de São Paulo. A BG tem autorização para vender à Comgás até 1,65 milhão de metros cúbicos de gás boliviano por dia. La Paz quer alinhar o valor dessas exportações, hoje em US$ 3,42 por milhão de BTU (unidade de medida do poder energético do combustível) aos preço dos demais contratos com o Brasil, em torno dos US$ 4,20 por milhão de BTU."Há poucos dias, informamos ao presidente da República que todos os acordos anteriores privados estavam até agora debaixo da mesa. Um contrato que se chama Comgás, que também vai ao Brasil, está com os preços abaixo das expectativas do governo", disse à Agência Boliviana de Informações (ABI) o ministro boliviano dos Hidrocarbonetos, Carlos Villegas, logo após chegar da viagem ao Brasil. Segundo ele, o governo já começou a trabalhar para alinhar os preços.O contrato entre BG e Comgás, empresa na qual a companhia britânica tem participação acionária, não tem qualquer relação com as importações de gás da Petrobras. Trata-se de um contrato privado, vigente desde 2001, depois de longa disputa entre a multinacional e a estatal brasileira, que não queria permitir o uso, por terceiros, da capacidade ociosa do Gasoduto Bolívia-Brasil (Gasbol). O imbróglio foi resolvido após intervenção da Agência Nacional do Petróleo (ANP), que deu ganho à multinacional.Segundo o último balanço do mercado de gás divulgado pela ANP, o volume importado pela BG representou, em novembro, 1,7% das importações brasileiras de gás. O volume entregue à Comgás varia muito durante o ano, tendo oscilado, durante 2006, entre os 151 mil e os 1 milhão de metros cúbicos por dia, em média mensal. A Comgás vende diariamente uma média de 14 milhões de metros cúbicos por dia, cerca de 75% provenientes da Bolívia. Procurada pelo Estado, a BG afirmou que não se pronuncia sobre contratos comerciais. A Comgás também não quis fazer comentários. A empresa britânica é controladora da distribuidora paulista, com 63% do capital, e vê no mercado local boas oportunidades para escoar as reservas gigantes de gás natural que detém na Bolívia. O contrato de exportações foi descoberto em uma devassa promovida pelo governo boliviano em todos os acordos de exportação de gás do país.No caso da térmica de Cuiabá, La Paz obteve um aumento de 252% sobre os US$ 1,19 por milhão de BTU previstos no contrato, também privado, entre a Petrolera Andina, controlada pela espanhola Repsol, e o consórcio Pantanal Energia, parceria entre a americana Prysma (ex-Enron) e a Ashmore. A térmica recebe cerca de 1,2 milhão de metros cúbicos por dia.

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