Governo dá como certo novo rebaixamento

É difícil encontrar no governo quem arrisque uma avaliação de que será possível reverter essa ameaça, porque não há perspectiva de melhora do cenário brasileiro no curto prazo

Adriana Fernandes, Ricardo Brito, O Estado de S.Paulo

10 Dezembro 2015 | 02h02

BRASÍLIA - O anúncio da agência internacional de classificação de risco Moody's de colocar a nota do Brasil em revisão na direção da perda do grau de investimento é mais um golpe na economia provocado pela crise política que alimenta a recessão.

É simbólico que o aviso tenha sido feito poucos dias depois da abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

A revisão indica que a agência vai ficar de olho e decidir em pouco tempo se põe o Brasil no grupo de países com nota de grau especulativo. Se isso ocorrer, será a segunda agência de rating a retirar o grau de investimento do Brasil, o selo de bom pagador que sinaliza aos investidores estrangeiros que o País é seguro para investimentos.

O fato é que desde a visita de representantes da agência ao Brasil, em julho, houve piora na frente política e econômica. O governo espera uma nova decisão da agência em dois meses. A perda do grau de investimento, contudo, é dada como praticamente certa no Executivo. "Demorou demais", resumiu um integrante da área econômica sem antes lamentar que o movimento para o rebaixamento tenha se acelerado.

É difícil encontrar no governo quem arrisque uma avaliação de que será possível reverter essa ameaça, porque não há perspectiva de melhora do cenário brasileiro no curto prazo.

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