Governo da Rússia vai demitir 110 mil funcionários públicos

Objetivo é melhorar a situação fiscal e elevar a produtividade no país, [br]um dos emergentes mais afetados pela crise

Jamil Chade / MOSCOU, O Estado de S.Paulo

21 de setembro de 2010 | 00h00

Enfrentando uma de suas piores crises desde o fim da União Soviética, o governo da Rússia anuncia que vai demitir 110 mil funcionários públicos nos próximos três anos e promover uma reforma para refazer as reservas do país, duramente afetadas nos últimos dois anos.

Nos anos 90, a privatização acelerada das estatais criou verdadeiros impérios privados, poderes paralelos, serviços ineficientes e uma disparidade social crescente. Vladimir Putin, ao chegar ao poder, reverteu a tendência, fortaleceu o Estado e recolocou o governo no centro das decisões econômicas do país.

Agora, com um déficit que vem assustando analistas, o caminho para os próximos anos será transformado. Depois de crescer 5,6% em 2008, a economia sofreu contração de 7,9% em 2009. A seca de créditos e a crise que derrubou o preço de petróleo custaram caro para o Kremlin, que teve de injetar bilhões na economia para superar a parte mais aguda da crise.

Agora, a reforma começará. Ontem, o ministro de Finanças russo, Aleksei Kudrin, anunciou que 110 mil postos de trabalho na burocracia desaparecerão até 2013. O desafio promete ser grande, diante de um país que ainda luta para superar a cultura soviética entre o funcionalismo público. Há uma semana, o governo cubano também anunciou demissões maciças.

Tesoura. A reforma promete gerar US$ 1,5 bilhão em economia por ano. "Já incluímos essa agenda de demissões em nossos orçamentos a partir de 2011 e todas as agências do governo estão cientes de que vai ocorrer", disse Kudrin.

Em junho, o presidente russo, Dimitri Medvedev, defendeu a redução do funcionalismo público em 20%. O Kremlin estima que manter 604 mil funcionários não condiz com a situação econômica nem com a modernização do serviço. Isso sem contar 420 mil policiais e 415 mil pessoas trabalhando nos Correios.

Em três anos, o número de pessoas na máquina estatal aumentou em 130 mil. Ontem, em comunicado, Medvedev insistiu em que o tamanho do Estado estava sendo um obstáculo para a modernização do país, que um quinto dos funcionalismo seria cortado e novas contratações congeladas de forma indefinida.

"O orçamento não permite outra coisa que não seja a redução dos gastos públicos", afirmou Kudrin.

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