Governo dá sinais de ajuste gradual

Para analista, medidas anunciadas pelo governo após a reeleição de Dilma frustram as expectativas do mercado de mais austeridade

Lu Aiko Otta, O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2014 | 02h03

BRASÍLIA - Mais do que o discurso, a prática. O projeto de lei que o governo enviou na semana passada ao Congresso Nacional, que na prática elimina a necessidade de fechar as contas públicas com saldo positivo este ano, reforça a percepção de que o ajuste macroeconômico no segundo mandato de Dilma Rousseff será mesmo gradual. As afirmações de autoridades nesse sentido não parecem ser apenas ecos da campanha eleitoral.

"O governo não reconhece que 2014 foi um ano ruim e vai na direção contrária", constatou o economista Felipe Salto, da consultoria Tendências. Outro sinal na mesma direção, disse ele, está no Projeto de Lei 99, aprovado pelo Congresso Nacional. Além de mudar os índices de correção das dívidas de Estados e municípios, ele altera um artigo da Lei de Responsabilidade Fiscal e afrouxa o cálculo do resultado primário das contas públicas.

Dessa forma, fica cada vez mais frustrada a expectativa, que havia entre alguns analistas, de que o governo poderia dar ao menos um sinal na direção da austeridade. A prática mostra que o caminho não será esse. "O governo fará um ajuste, e vem falando isso", disse o deputado Cláudio Puty (PT-PA), doutor em Economia pela New School for Social Research de Nova York. "Mas será feito com cuidado para não agravar um quadro que já inspira preocupação."

Ele acredita que haverá um contingenciamento (bloqueio) "razoável" dos gastos públicos no início do ano que vem. Pelas contas de Felipe Salto, seriam perto de R$ 65 bilhões.

Austeridade. Um início de ano austero e com foco no aumento da chamada formação bruta de capital fixo (investimentos) é um consenso entre os economistas, disse o deputado. "Não basta indicar o ministro da Fazenda que os mercados querem", ironizou. "Precisamos completar as reformas." Ele cita como exemplos os marcos regulatórios de portos, aeroportos e ferrovias, sobre os quais ainda pairam incertezas.

O governo conta com o fortalecimento dos investimentos privados em infraestrutura para ativar a economia, num período em que os recursos públicos serão limitados. "É fundamental atrair o investimento privado", disse Puty. "O Brasil oferece uma taxa de retorno razoável e há muito capital no mundo."

Tudo o que sabemos sobre:
governobrasília

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.