Governo de Cristina tem 1ª baixa

Presidente eleita quer manter cargos em 2008, mas Peirano, da Economia, diz que sai em dezembro, com Kirchner

Ariel Palacios, O Estadao de S.Paulo

13 de novembro de 2007 | 00h00

A presidente eleita da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, prepara-se para tomar posse no dia 10 de dezembro, mas a transição do governo de seu marido, Néstor Kirchner, para o próprio começa a tornar-se uma corrida de obstáculos. Entre domingo à noite e ontem circularam fortes rumores de que o ministro da Economia, Miguel Peirano, não continuaria no cargo no novo governo. O motivo seriam as divergências entre ele e o secretário de Comércio Interior, Guillermo Moreno, o encarregado nos últimos dois anos de combater, por meios polêmicos, a inflação. A negativa de Peirano em continuar no ministério após a posse atrapalha os planos de Cristina de manter o gabinete do marido sem grandes alterações ao longo de 2008 - ela queria preservar os principais cargos, entre eles a pasta da Economia, sem mudanças imediatas.A atitude do ministro evidencia a disputa de poder entre os integrantes do círculo kirchnerista. Peirano declarou à agência estatal de notícias Télam que não foi convidado para continuar no governo de Cristina e alegou problemas de saúde na família para deixar o cargo em dezembro. Mas o problema real seria a influência excessiva de Moreno em sua pasta.As especulações sobre o sucessor já começaram. Na lista dos favoritos estão o presidente do Banco Central, Martín Redrado, e o ex-diretor do Fundo Monetário Internacional Mario Blejer. Ambos têm a confiança dos mercados. Além deles, especula-se sobre a deputada e economista Mercedes Marcó del Pont; a presidente do Banco de la Nación, Gabriela Ciganotto; o ex-vice-ministro da Economia Orlando Ferreres.Na semana passada, durante a cúpula de países ibero-americanos realizada em Santiago do Chile, Cristina teria ouvido da presidente chilena, Michelle Bachelet, o conselho de "não mudar time que está ganhando". Bachelet mudou a equipe deixada por seu colega socialista e antecessor Ricardo Lagos e hoje amarga diversos problemas.Os analistas destacam que a ausência de Peirano no gabinete de Cristina não causará problemas nos mercados, já que o ministro da Economia, na prática, é o próprio Kirchner.

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