Governo de esquerda no Uruguai não assusta mercados

A eleição de Tabaré Vazquez para a presidência do Uruguai, que consolida o domínio de partidos de centro-esquerda no cone Sul, foi recebida com tranqüilidade por analistas e investidores estrangeiros. A expectativa é que o candidato da Frente Ampla siga os passos do seu futuro colega do Mercosul, presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e mantenha a adoção e políticas macroeconômicas ortodoxas, que levem à sustentabilidade dos pagamentos da dívida externa uruguaia. Morgan Harting, analista da agência de classificação de risco Fitch Ratings, disse que a vitória de Vazquez poderá resultar numa maior clareza do plano financeiro do governo uruguaio para médio prazo. As necessidades de financiamento do país em 2005 somarão US$ 2 bilhões, o dobro do valor deste ano. "Por isso, um acordo entre o novo governo e o Fundo Monetário Internacional que propicie um novo financiamento poderia ajudar a qualidade do credito do país", disse Harting. Ele observou que nenhum dos candidatos à presidente discordou da necessidade de o país manter a disciplina fiscal. "A dúvida tem sido como cada um deles refinanciaria a dívida cujo vencimento ocorrerá ao longo dos próximos três anos", disse. O economista Rodrigo da Fonseca, do banco Dresdner Kleinwort Wasserstein, afirma que o novo governo não terá uma tarefa fácil, pois a fase mais rápida da recuperação econômica uruguaia já está sendo superada e o desafio de se cumprir as metas fiscais estipuladas pelo FMI vão começar a ficar mais onerosas. "Mas o novo governo vai herdar um sólido legado econômico", disse Fonseca. Ele não prevê nenhuma "surpresa negativa do novo governo em termos de política macroeconômica". A possibilidade do economista Danilo Astori assumir o cargo de ministro das Finanças, segundo Fonseca, é um sinal tranqüilizador. "Entretanto, o principal aspecto para se monitorar nas próximas semanas será o anúncio dos demais integrantes do ministério", disse.

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