Manuel de Almeida/EFE - 9/4/2020
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ESG

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Governo de Portugal faz acordo com acionistas e assume controle da TAP

O país aumentou sua participação na companhia aérea de 50% para 72,5%; empresa já enfrentava dificuldades financeiras mesmo antes da pandemia

Luciana Dyniewicz, O Estado de S. Paulo

03 de julho de 2020 | 09h18
Atualizado 03 de julho de 2020 | 19h50

Diante da necessidade de socorrer financeiramente a companhia aérea TAP, da qual era dono de 50%, o governo português comprou uma participação extra de 22,5% da empresa. Da fatia adquirida, 6% eram detidos pela brasileira Azul e o restante pelo seu controlador, o americano nascido em São Paulo David Neeleman.

A aérea portuguesa é mais uma a necessitar de um resgate público por causa da pandemia da covid-19, que praticamente paralisou o setor. Nos Estados Unidos, o governo já concedeu empréstimos para a maioria das empresas, enquanto na Alemanha o Estado passará a ser o principal acionista da Lufthansa, com 20% de participação, ao aportar 9 bilhões de euros (cerca de R$ 54 bilhões) na companhia. 

Antes de adquirir os 22,5%, o governo português tentou negociar uma injeção de capital na TAP. Neeleman, porém, não concordou com as contrapartidas exigidas. Desde o ano passado, já havia rumores no mercado de que o empresário tentava vender sua parte na empresa.

A aquisição dos 22,5% da TAP custou 55 milhões de euros ( R$ 330 milhões) ao governo português, segundo o ministro das Finanças, João Leão. “De forma a evitar o colapso da empresa, o Estado optou por chegar a um acordo com os acionistas privados para comprar parte da participação deles e ficar com 72,5% da TAP”, disse a jornalistas.

O ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, destacou que “felizmente” a nacionalização da TAP foi evitada, dado que restou uma fatia em mãos privadas. Na prática, porém, o governo controlará a companhia, que agora terá o português Humberto Pedrosa como único sócio.

Pedrosa era sócio de Neeleman em um consórcio que detinha 45% da TAP – os 5% restantes são dos funcionários. A dupla havia adquirido parte da TAP em 2015, quando a empresa enfrentava outra crise financeira. Responsáveis pela gestão da companhia, eles não conseguiram transformá-la em um negócio lucrativo. Os resultados da TAP estavam ruins mesmo antes da pandemia. A última vez em que a área teve lucro foi em 2017 (21,2 milhões de euros). Depois, registrou prejuízos em 2018 (118 milhões de euros) e no ano passado (105,6 milhões de euros).

Brasileira

Além dos 6%, a Azul também detinha títulos da TAP no valor de 90 milhões de euros (R$ 540 milhões), com vencimento em 2026, que poderiam ser convertidos em participação. Com o acordo fechado nesta semana, acaba o direito à conversão e a Azul fica apenas como credora da TAP.

Segundo o vice-presidente financeiro da Azul, Alexandre Malfitani, os cerca de R$ 65 milhões que a empresa receberá do governo português deverão ser usados para reforçar o caixa da companhia, que também enfrenta dificuldades decorrentes da pandemia.

Assim como as aéreas de todo o mundo, a Azul, a Gol e a Latam também aguardam ajuda do governo. A expectativa era que um resgate do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) saísse em junho, o que não ocorreu. Para Malfitani, no entanto, dada a complexidade da operação, é normal que ela demore um pouco mais para ser concluída./COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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