Divulgação/TAP
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Governo de Portugal se prepara para intervir na TAP, diz ministro ao Parlamento

Companhia aérea portuguesa já vinha de dois anos seguidos de prejuízo e viu sua situação piorar com a pandemia; reestatização é uma das possibilidades

Célia Froufe, correspondente, O Estado de S.Paulo

29 de abril de 2020 | 10h42

LONDRES - O governo português prepara um plano de intervenção na companhia aérea TAP que pode ter, inclusive, consequências na estrutura de acionistas. A reestatização é uma das possibilidades.

Durante uma auditoria parlamentar na Comissão de Economia e Obras Públicas nesta quarta-feira, 29, o ministro das Infraestruturas e Habitação, Pedro Nuno Santos, disse que, sem intervenção pública, a companhia "não tem nenhuma possibilidade de sobrevivência".

Segundo ele, o governo estuda várias alternativas de atuação para que a companhia não entre em falência. A estratégia a ser escolhida estará ligada aos interesses do Estado, segundo ele, e não aos dos acionistas.

“Qualquer intervenção do Estado na TAP significará que o governo acompanhará todas as decisões que serão tomadas nos próximos tempos e que poderão ter impacto relevante no futuro e na vida da empresa”, afirmou. Uma das ideias seria a de o Estado aportar recursos na companhia. Se não houver acompanhamento do setor privado nesse caso, o controle da empresa volta a ser estatal.

O ministro mostrou-se crítico em relação à administração liderada por Antonoaldo Neves, que já foi presidente da companhia aérea brasileira Azul, criada por David Neeleman.

Ele disse que já vinha criticando os resultados da TAP mesmo antes da pandemia de covid-19. A última vez que a TAP teve lucro foi em 2017 (21,2 milhões de euros). Depois registrou prejuízos em 2018 (118 milhões de euros) e no ano passado (105,6 milhões).

O momento é particularmente complicado para a empresa, segundo Santos, porque, além dos reflexos da pandemia sobre as companhias do setor em todo o mundo, a TAP tem uma dívida de 800 milhões de euros. Uma comissão executiva escolhida pelos acionistas privados da companhia chegou a pedir garantias públicas para obter um empréstimo de 350 milhões de euros.

Para Santos, no entanto, "350 milhões de euros não resolvem o problema da TAP". O ministro salientou que, ao final, ainda caberá ao Estado pagar a dívida caso a empresa não sobreviva. "É o povo português que paga, então é bom que seja o povo português a mandar."

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