Governo de SP admite que há falhas no modelo do setor elétrico

Sem entrar em detalhes, a secretária de Energia disse que lacunas estão relacionadas à questão das concessões

Nicola Pamplona, da Agência Estado,

25 de março de 2008 | 15h22

O governo de São Paulo admitiu que o fracasso do leilão da Companhia Energética de São Paulo (Cesp), marcado para quarta-feira, 26, indica que ainda há lacunas no modelo do setor elétrico brasileiro, que trazem insegurança para o investidor. Sem entrar em detalhes, a secretária de Energia de São Paulo, Dilma Pena, disse que estas lacunas estão relacionadas à questão das concessões.  Ela disse ainda que as empresas qualificadas para o leilão da Cesp foram pessimistas na avaliação sobre a renovação das usinas da empresa, cujos contratos de concessão vencem em 2015. Segundo ela, o problema aflige não apenas a Cesp, mas 80% do setor elétrico brasileiro. "Esta questão deve ter uma solução nacional", disse Dilma, sinalizando que acredita que o governo renovará todas as concessões. "Eles foram muito pessimistas. Dilma não quis avaliar se houve componente político no fato de o governo federal não garantir previamente a renovação. "A minha avaliação é apenas técnica", disse. "Bacia das almas" Mais cedo, ao comentar o fracasso do leilão, o governador José Serra disse que as empresas queriam um valor menor para a Cesp. "O pessoal queria um valor menor, mas nós não vendemos na bacia das almas", afirmou. Ele argumentou que o governo "não cedeu às empresas e não diminuiu o preço da companhia". E destacou: "Mantivemos o patrimônio da Cesp".  O governador paulista acredita que uma das razões para as cinco empresas que participariam do leilão não terem oferecido um preço adequado foi a dificuldade de obtenção de financiamento junto às instituições de crédito internacionais, em razão da crise dos Estados Unidos. Problemas no setor elétrico O leilão da Cesp fracassa no dia em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai se reunir com ministros para fazer uma avaliação do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) na área de energia. Participam da reunião os ministros Edison Lobão (Minas e Energia), Guido Mantega (Fazenda), Paulo Bernardo (Planejamento), Dilma Rousseff (Casa Civil), e do Meio Ambiente, Marina Silva.  O leilão da Cesp trouxe à tona uma situação bastante complicada no setor elétrico. Além das hidrelétricas Jupiá e Ilha Solteira, outras geradoras, com capacidade que beira os 20 mil MW, terão o contrato de concessão vencidos até 2015. Mas o problema não pára por aí. Distribuidoras e transmissoras sofrem do mesmo mal. A não renovação das concessões, embora prevista em lei, pode elevar o risco regulatório num momento em que o setor precisa com urgência elevar o volume de investimentos. Com o avanço da economia e o aumento do consumo, o risco de descompasso entre oferta e demanda tem crescido de forma expressiva. Novos racionamentos, a exemplo do que ocorreu em 2001, não estão descartados nos próximos anos por causa da lentidão na expansão da geração.  Ou seja, o governo terá de encontrar uma solução para o problema. Mas, segundo comentários do mercado, o que tem pesado é a questão política. Sinalizar para uma solução agora significaria pôr bilhões de reais nas mãos do PSDB às vésperas de eleições municipais, além de fortalecer José Serra como candidato à presidência.

Tudo o que sabemos sobre:
Setor elétricoCesp

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.