Governo decide manter a meta de inflação de 2014 em 4,5%

Segundo fontes do governo, a meta não foi reduzida para não prejudicar a política de corte de juros pelo BC

ANNE WARTH, RENATA VERÍSSIMO, BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2012 | 03h07

O governo decidiu manter a meta de inflação para 2014 em 4,5% ao ano, com a possibilidade de variar dois pontos porcentuais para baixo ou para cima. Será o décimo ano consecutivo em que o Banco Central (BC) terá de perseguir esse objetivo.

Apesar das previsões pessimistas do mercado e mesmo do BC para o desempenho da economia brasileira em 2012, o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Márcio Holland, explicou que a decisão do Conselho Monetário Nacional (CMN) de manter a meta neste patamar se baseia justamente na expectativa de um crescimento "vigoroso" neste ano, aliado a um cenário de incertezas internacionais.

O secretário negou, porém, que a decisão tenha sido adotada para estimular a economia. "A meta de inflação não foi fixada para garantir crescimento. É a mais factível para a economia brasileira." No entanto, a avaliação dentro do governo é que um objetivo menor poderia interromper a trajetória de queda da taxa básica de juros, fator considerado fundamental para aquecer a atividade econômica. Também pesa o fato de que o próprio BC ainda enxerga "incertezas" para a queda do IPCA.

Crise. Holland admitiu que a crise internacional tem se mostrado mais prolongada e aguda que em 2008. Já o Brasil, destacou, tem um equilíbrio macroeconômico melhor, um câmbio mais competitivo e ajustado, juros e spreads em queda e uma taxa de desemprego que "causa inveja" a outros países. Além disso, o País tem apresentado uma capacidade acelerada de redução da inflação.

"Isso nos faz acreditar que teremos taxas de crescimento vigorosas nos próximos meses", afirmou. Holland fez uma defesa do sistema de metas de inflação, que tem sido "exitoso" e permite ao País flexibilidade para enfrentar momentos como o atual e manter os resultados fiscais.

Ele destacou que, desde 2005, o IPCA vem se comportando dentro dos intervalos anunciados pelo CMN. "Nosso principal problema hoje está longe de ser a inflação", disse. "Para nós, é importante manter a meta dentro das condições macroeconômicas internas e externas." O secretário afirmou que as previsões de inflação no Brasil são baseadas nas expectativas futuras sobre choques de preços e não em indicadores já ocorridos, como a queda recente das cotações das commodities que aliviaram a pressão inflacionária sobre o Brasil. "Cada vez mais se vê que a inflação brasileira responde muito menos ao passado e cada vez mais à expectativa para frente", disse. Ele acredita que os analistas de mercado irão incorporar projeções mais otimistas mês a mês. "Choque de ofertas não está no nosso cenário próximo", afirmou.

PIB. Holland disse que o País vai crescer mais neste ano do que em 2011, quando o PIB aumentou 2,7%. Ele reiterou que essa não é uma possibilidade, mas uma certeza do governo. "A palavra não é pode, e sim vai", garantiu. Segundo ele, o País terá um crescimento maior a cada trimestre e, até o fim do ano, as taxas deverão variar entre 4,5% e 5%.

"O importante é que o governo vem tomando ações importantes para o crescimento. Notem que mais importante que uma taxa de crescimento no ano-calendário é o cenário de crescimento."

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