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Governo descarta intervenção no mercado de câmbio

Equipe econômica acredita que ajuste pode ser saudável, apesar de preocupação com a percepção de fraqueza nos fundamentos do País

Adriana Fernandes, O Estado de S. Paulo

15 de março de 2015 | 03h00

Sem fazer movimento de intervenção no mercado, a equipe econômica do governo avalia como saudável para a economia brasileira o ajuste na taxa de câmbio. Um fenômeno, segundo essa avaliação, que reflete um movimento global de tendência de elevação do dólar por causa das expectativas em taxas de juros pelo banco central dos Estados Unidos, o Fed. O mercado mundial está se antecipando e comprando dólares num estratégia de proteção à espera da ação do Fed.

No Brasil, a alta da moeda tem sido mais forte, contaminada pelo agravamento da crise política, que ameaça o plano fiscal do ministro do Fazenda, Joaquim Levy, em curso. O quadro se agrava a cada notícia ruim envolvendo a Petrobrás.

Uma combinação perversa de fatores ruins a puxar a cotação do dólar, tendência que o governo acredita que era de se diluir à medida que o cenário do ajuste ficar mais claro e a confiança voltar.

A estratégia da nova equipe econômica é de menor intervenção no câmbio – menos administrado –, quadro diferente da política adotada no primeiro mandato. Mas, com a disparada do dólar, principalmente, na última semana, o governo começou a se mobilizar para afastar a percepção de que a subida do dólar estaria refletindo uma fraqueza maior dos fundamentos do País ao longo do ano.

O governo não pretende usar as reservas internacionais para conter um alta que, em parte, tem caráter especulativo, como a verificada na sexta-feira, quando o mercado testou o Banco Central num dia em que informação do Estado sobre a ameaça do ministro Levy de deixar o governo ampliou as incertezas. Uma intervenção mais efetiva para conter a disparada é vista como pouco efetiva, diante do quadro global de alta do dólar.

O nervosismo no câmbio deve se acentuar até o fim do mês, quando o Banco Central anuncia se vai renovar a chamada “ração” de dólares ao mercado, que o governo faz por meio de operações de venda de US$ 100 milhões de swap cambial todos os dias. O mercado pressiona pela renovação e avalia que o governo não terá muito espaço a não ser manter a oferta.

O Banco Central ainda não tomou a decisão e já sinalizou que deve deixar o anúncio para o último dia do mês à espera de uma avaliação. Antes disso, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, deverá comparecer a audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, quando se espera que dê pistas mais claras sobre a estratégia a ser seguida para a política cambial.

Apesar das dificuldades de negociações no Congresso, o governo entende que a necessidade do ajuste fiscal já está “bem percebida” pelas lideranças políticas, a política monetária está agindo para trazer a inflação para a meta de 4,5% em 2016 e os desequilíbrios econômicos estão sendo corrigidos. E o ajuste no câmbio faz parte dessa correção e vai ajudar na recuperação do crescimento da econômica.

O governo vê como “obsessivo” o processo que ocorre no mercado brasileiro de “só olhar” para a taxa bilateral entre o dólar e o real, sem levar em conta o que está acontecendo na economia real com as exportações e importações.

“A relação entre os preços domésticos e os internacionais não é só o dólar”, destaca uma fonte do BC. A “medida correta” do ajuste é a de que esse processo não deve ser visto somente com a paridade com dólar, principalmente porque o Brasil não faz comércio apenas com os Estados Unidos.

O euro está desvalorizando como nunca e caminhando para a paridade com dólar. E a percepção é de que esse movimento também tem de ser levado em conta quando se observa a economia real. Essa é uma das razões pelas quais os preços de atacado estão mais comportados, sem refletir a disparada do dólar.

“Não estão vendo que as outras moedas com as quais o Brasil faz comércio estão se depreciando”, pondera a fonte. Para essa mesma fonte, o mercado está olhando para a paridade e achando que as coisas estão se deteriorando no Brasil.

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