Governo deve assumir custo das usinas térmicas novamente

Meta de superávit primário para este ano foi fixada em 1,9% do PIB, exatamente o número atingido em 2013

Anne Warth, O Estado de S.Paulo

21 de fevereiro de 2014 | 03h19

BRASÍLIA - O governo adotou o mesmo expediente utilizado no ano passado e indicou que vai bancar novamente o custo da energia produzida pelas usinas térmicas, sem repassá-lo ao consumidor. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) adiou para 11 de março o prazo para que as distribuidoras apresentem garantias para o pagamento dessa despesa. Em 2013, essa foi a primeira providência técnica antes da publicação do decreto presidencial que permitiu ao Tesouro Nacional assumir essa conta. O prazo para o aporte de garantias pelas distribuidoras venceu ontem.

As empresas teriam que dar provas de que poderiam pagar pelo uso das termoelétricas e pela energia comprada no mercado de curto prazo. Com o preço da energia batendo recorde, a despesa de janeiro chegaria a R$ 1,8 bilhão.

Conforme adiantado pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, as distribuidoras procuraram o governo e pediram que a data fosse postergada porque não têm recursos para fazer esse pagamento. Segundo a Aneel, as empresas alegaram "significativo impacto financeiro referente a custos extraordinários de compra de energia por eventos que não deram causa, sob contexto similar ao ocorrido no início de 2013."

O adiamento do prazo não soluciona o problema. A despesa bilionária terá de ser paga nos dias 12 e 13 de março, e nada indica que a situação financeira das distribuidoras vai melhorar. Mas a postergação dá mais tempo para o governo viabilizar o pagamento dessa despesa.

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