Governo deve cortar imposto de insumo importado

Em mais uma ação para ajudar o Banco Central (BC) no controle da inflação, o governo deve cortar o imposto de importação para aço, resinas, vidro, painéis de parede, borracha, plásticos, alumínio e outros insumos industriais. Elevadas em outubro ano passado para proteger a indústria, as alíquotas do Imposto de Importação (II) devem cair, agora, por conta da preocupação com o controle da inflação, prioridade máxima hoje da equipe econômica.

ADRIANA FERNANDES E IURI DANTAS, Agencia Estado

05 de julho de 2013 | 09h21

A redução do II se junta ao anúncio do corte adicional de despesas do Orçamento da União, previsto para a semana que vem, e ao aperto dos juros pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na estratégia de "linha de defesa" para barrar a alta da inflação. A lista dos insumos que poderão ter alíquota menor está em análise pelos técnicos dos ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

Câmbio

O entendimento do governo é que o quadro atual da taxa de câmbio, de valorização do dólar frente ao real, garantiu uma proteção que compensaria a redução da taxação para os setores beneficiados. Na época da elevação do II, a preocupação era ajudar os setores afetados pela forte concorrência internacional. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, avisou na ocasião que os preços seriam monitorados e as alíquotas derrubadas, se houvesse reajuste de preços.

Passado menos de um ano da alta da taxação, economistas do governo diagnosticaram que os empresários nacionais se aproveitaram da proteção com a sobretaxa a estrangeiros para elevar preços no mercado doméstico. A maior preocupação, segundo fontes do governo, é com os preços de resinas e aço, insumos amplamente utilizados pela indústria. A expectativa é de que, com a redução do imposto, os fabricantes reduzam o preço para não perder mercado diante da concorrência internacional.

Os técnicos do Ministério da Fazenda analisam o comportamento dos preços e o impacto na inflação. Mantega está recebendo empresários para conversas antes de tomar a decisão. Na semana passada, Mantega e o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, se reuniram com executivos da indústria do aço. Na quarta-feira passada, 03, foi a vez dos representantes da Associação Brasileira da Indústria Química. Os dois setores haviam sido beneficiados pela elevação do II.

Fontes informaram que Mantega está sensível ao pedido para a redução do II, que parte até mesmo do varejo, setor que não está ligado diretamente à produção.

A mudança na alíquota tem caráter regulatório para reduzir o custo dos produtos manufaturados e aumentar a concorrência no mercado interno. Não se trata de uma rodada ampla de abertura comercial do País, conforme avaliou um integrante do governo. A expectativa é de que ocorra, em breve, o anúncio sobre o total de setores que terá o II reduzido para ampliar a oferta de importados. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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