Governo deve frear política de redução de impostos

O governo está muito preocupado com a queda de arrecadação nos últimos meses e avalia que não tem condições de conceder novas desonerações tributárias. Segundo uma fonte do Palácio do Planalto, o governo deve manter os incentivos já concedidos para setores como o automotivo, de linha branca e construção civil e anunciar medidas para ajudar também o setor de bens de capital. Mas demandas adicionais não encontram espaço no caixa, cada vez mais apertado. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já marcou para a manhã da próxima segunda-feira, numa solenidade no Palácio do Itamaraty, o anúncio de um "pacote de medidas" para manter a economia girando.Segundo a fonte, as medidas dizem respeito ao setor de bens de capital e à construção civil. As propostas não deverão, no entanto, passar por novas desonerações, mas sim pela concessão de créditos e financiamentos, parte deles via BNDES. No caso da redução do IPI dos carros, que termina no dia 30, o governo não pretende suspender toda a isenção, mas eliminá-la aos poucos nos próximos seis meses. Fontes do governo dizem que em grande parte a economia voltou a crescer graças à concessão das isenções fiscais.Embora rejeite a palavra pacote, foi o próprio Lula que, ontem, em entrevista, declarou que vai conversar com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, sobre "o anúncio de algumas coisas". Mas Lula disse não saber "o que tem no pacote". Na terça-feira passada, durante viagem ao Rio de Janeiro, Lula manifestou descontentamento com empresários que estariam recebendo benefícios fiscais sem repassá-los aos consumidores. Disse que era preferível distribuir dinheiro para os pobres do que dar incentivos fiscais para empresas.Ontem, o ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, confirmou que o governo vai anunciar na próxima semana uma decisão sobre a eventual prorrogação do corte do IPI de automóveis.COLABOROU LEONARDO GOY

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