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Governo deve limitar alta do IPI, mas desiste de pacote de montadoras

Recomposição do tributo sobre a venda de carros, prevista para julho, não deve ser integral; criação de fundos para financiar negócios esbarra na resistência do BC e dos bancos

Adriana Fernandes, Laís Alegretti, Eduardo Rodrigues , Agência Estado

04 de junho de 2014 | 11h22

Diante das dificuldades enfrentadas pelas montadoras, que ameaçam com novas demissões, o governo deve desistir de recompor integralmente o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) na compra de automóveis.

O imposto havia sido cortado em 2012 para estimular a venda de carros e está sendo recomposto gradativamente. De acordo com o roteiro do Ministério da Fazenda, o último aumento do IPI estava programado para entrar em vigor em 1º de julho.

As alíquotas passariam de 3% para 7% no caso dos carros populares. Ontem, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, sinalizou que a elevação deverá ser menor e gradual.

Em contrapartida ao alívio no IPI, Mantega jogou um balde de água fria no pacote em estudo para facilitar o crédito para a compra de veículos. As medidas enfrentam resistências do Banco Central (BC) e as instituições financeiras avaliam que seriam pouco eficazes. 

A proposta de criação de fundos para ajudar a financiar as vendas ou dar garantias aos bancos em caso de inadimplência não evoluiu. Esbarrou em questionamentos dos bancos sobre a viabilidade dos fundos. 

O BC também resiste às propostas que preveem liberação de compulsórios dos bancos para compor os fundos para o setor automobilístico. Para o BC, jogar mais dinheiro no mercado pressionaria a inflação.

Dirigentes das montadoras continuam pressionando o governo e pedindo agilidade em ações que estimulem as vendas. De janeiro a maio, as vendas caíram 5,5% em relação a 2013.

O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan, disse ontem que “quanto menos imposto melhor, mas na última vez que falei sobre o tema com Mantega ele afirmou que, por questões da economia, precisaria promover o aumento integral do IPI”.

Recado. Num recado em tom mais duro que o habitual, Mantega disse que o setor, um dos mais beneficiados com estímulos durante os governos Lula e Dilma Rousseff, “tem que andar com as próprias pernas”.

Segundo Mantega, o governo vai acompanhar o desempenho do setor e esperar até a véspera da data prevista para o aumento do IPI para tomar a decisão sobre o tamanho da recomposição das alíquotas. “O que está definido é que terá um aumento. Poderá ser pequeno ou não.” 

Pelo cronograma, a alíquota dos carros 1.0, que está em 3% desde janeiro passaria a 7%, a mesma que vigorava antes de o governo determinar o corte, em 2012. Para carros com motor até 2.0 flex o IPI subiria de 9% para 11% e para aqueles movidos a gasolina, de 10% para 13%.

O ministro disse ainda que o governo está finalizado as negociações para renovação do acordo automotivo com a Argentina. “Ainda não batemos o martelo. Mas as conversas estão caminhando bem e deveremos renovar o acordo automotivo.”/ COLABOROU CLEIDE SILVA 

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