Hoana Gonçalves/ME - 25/6/2019
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Governo deve manter estimativa de PIB para 2022 acima de 2%

Nova projeção será divulgada na quarta-feira pelo Ministério da Economia e deve ir na contramão do mercado financeiro, que já prevê crescimento abaixo de 1% no ano que vem

Idiana Tomazelli e Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2021 | 16h44

BRASÍLIA - Na contramão do mercado financeiro, o governo deve manter uma estimativa de crescimento do Produto Internto Bruto (PIB) acima de 2% em 2022, segundo apurou o Estadão/Broadcast. A nova estimativa será divulgada na quarta-feira, 17, pela Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Economia.

O governo trabalha atualmente com uma expectativa de alta de 2,5% no PIB no ano que vem, número já bastante criticado por economistas desde quando as estimativas do mercado estavam pouco acima de 1,5%.

Nesta terça-feira, 16, o boletim Focus do Banco Central mostra que o mercado está ainda mais pessimista. A previsão dos analistas para o crescimento em 2022 cedeu de 1,00% para 0,93%.

Para defender o número “nitidamente” mais otimista, a equipe econômica vai argumentar que a retomada do mercado de trabalho será mais forte do que o esperado.

A previsão é que serão gerados 5 milhões de postos de trabalho, formais e informais, até o fim do ano que vem, o que daria sustentação à atividade econômica.

Para esses técnicos, a taxa de participação no mercado de trabalho - isto é, o número de pessoas que estão ocupadas ou buscando emprego em relação ao total em idade de trabalhar - ainda está abaixo dos níveis pré-pandemia, o que indica potencial de crescimento nos próximos meses.

Segundo o IBGE, a taxa de participação no trimestre encerrado em agosto de 2021 ficou em 58,6%, acima dos 54,7% observados em igual período do ano passado, mas ainda abaixo dos 62,1% verificados no mesmo trimestre de 2019.

Na avaliação do governo, uma taxa de participação tão baixa quanto a atual é insustentável em um país com a renda do Brasil, e à medida que a vacinação avança, os trabalhadores voltarão a buscar emprego. Ainda que as novas vagas sejam de baixa produtividade, concentradas no setor de serviços, a expectativa é que isso ajude a sustentar a retomada da economia.

Outro fator que, na avaliação da equipe econômica, está fora do radar das projeções de mercado é o investimento privado. Embora o aumento da taxa básica de juros, a Selic, para conter a inflação afete a perspectiva de investimentos das empresas, um integrante da equipe ressalta que contratos de concessões já assinados preveem mais de R$ 500 bilhões em investimentos nos próximos anos.

As estimativas de crescimento do PIB são importantes para determinar, por exemplo, o quanto o governo deve arrecadar no ano. Como mostrou o Estadão/Broadcast em setembro, é incomum as projeções da SPE e do mercado se distanciarem tanto. O episódio mais recente foi em julho de 2020, quando os efeitos mais acentuados da pandemia da covid-19 levaram o mercado a projetar uma queda mais intensa do PIB para aquele ano (-6,47%) do que a projeção do governo (-4,7%). Até hoje, o governo “celebra” o que considera como um acerto, já que a queda acabou ficando em 4,1%.

“Se colocarem o PIB em torno de 2%, é um orçamento irrealista. O mercado já está discutido PIB zerado ou recessão por conta da alta dos juros. O Banco Central saiu de 2% da taxa Selic e o mercado estima que ele vá levar para 12%”, critica o economista-chefe e sócio da RPS Capital, Gabriel Leal de Barros.

Segundo ele, essa correção da política de monetária com a alta dos juros é muito contracionista, o que afeta a atividade econômica. Além disso, o cenário do resto do mundo não está ajudando muito, principalmente, com a desaceleração forte da economia chinesa que é importante para as exportações brasileiras. Leal prevê uma alta de PIB de 1% em 2022, mas essa estimativa está hoje com viés de baixa.

Na sua avaliação, o governo está muito otimista com o crescimento porque quer sinalizar no Orçamento que vão zerar o déficit das contas públicas em 2022. “Querem usar isso como um ativo político”, avalia.

O distanciamento das projeções do governo com as estimativas dos analistas do mercado financeiro é criticado por integrantes da própria área econômica, que veem perda de credibilidade com cálculos superestimados e que têm impacto no Orçamento. O próprio Ministério da Economia fez recentemente uma nota técnica explicando por que não fazia sentido crescimento abaixo de 2% em 2022, cenário que será reforçado agora.

Na divulgação de quarta-feira também haverá uma revisão para cima na projeção de inflação. Hoje, o governo espera alta de 7,9% no IPCA e de 8,4% no INPC.

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