Governo deve manter meta de inflação de 4,5% em 2014

Ambiente de incerteza que domina o cenário mundial e dúvidas em relação à crise europeia recomendam cautela

RENATA VERÍSSIMO / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2012 | 03h04

O Conselho Monetário Nacional (CMN) deve manter em 4,5% o centro da meta de inflação para 2014, segundo apurou o Estado. Esse quadro é dado como certo por integrantes da equipe econômica em razão, principalmente, do ambiente de incerteza que ainda domina o cenário mundial. Diante das dúvidas sobre o desfecho da crise na Europa, uma eventual redução da meta poderia dificultar uma ação do governo para combater os efeitos no Brasil.

O entendimento da área econômica é de que não faria sentido, neste momento de esforço de convergência do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para o centro da meta de 4,5%, diminuir o seu valor. As análises ainda levam em conta as previsões do mercado, que indicam alta da inflação em 2013.

Baixar a meta neste momento poderia também sacrificar a retomada da expansão do Produto Interno Bruto (PIB), que vem sendo perseguida pelo governo com estímulos para ampliar o consumo e os investimentos. Também poderia pôr em risco a trajetória de queda da taxa básica de juros. Uma fonte lembrou que a desaceleração da economia mundial e as ações do governo para controlar a inflação, que ameaçou superar o teto de 6,5%, levaram a um desaquecimento da atividade no Brasil além do desejado.

A reunião do CMN, na próxima semana, terá de fixar a meta de inflação para 2014 e ratificar a meta para 2013, que também é de 4,5% com a possibilidade de uma variação de 2 pontos porcentuais para cima ou para baixo. Mas, em junho do ano que vem, o governo pode, se julgar que mudaram os parâmetros econômicos, alterar a meta de 2014.

Conservadorismo. No entanto, as decisões do Conselho, formado pelo presidente do Banco Central e pelos ministros da Fazenda e do Planejamento, têm tido um tratamento muito conservador nos últimos anos. Desde 2006, quando a banda de tolerância da meta de inflação foi reduzida de 2,5 para 2 pontos porcentuais, não ocorre mudança nesse pilar da política econômica. Naquele ano, a inflação entrou numa intensa trajetória de queda, fechando abaixo de 4%, e levou a uma discussão sobre a possibilidade de reduzir a meta para 4%.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, travou no governo Lula uma dura batalha nos bastidores com o ex-presidente do BC Henrique Meirelles para manter a meta em 4,5%. Meirelles avaliava que aquele era o momento de reduzir a meta a níveis mais próximos dos praticados nos países mais ricos, mas não conseguiu convencer o então presidente, que não queria obstáculos à implementação de uma política mais desenvolvimentista.

TJLP. O CMN terá de decidir também se vai manter ou não a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) no nível atual de 6% ao ano. Há no governo quem avalie que existem todas as condições para uma queda da taxa nos empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) neste momento. O movimento estaria em consonância com a redução geral dos juros no País. As discussões estão sendo feitas entre a Fazenda e o banco de fomento.

Não está descartada uma leve redução, como sinalizador da determinação do governo de reduzir os juros. A decisão também poderia ajudar a destravar as linhas do BNDES que estão com desembolsos abaixo do esperado. Apenas as linhas com subsídio do Tesouro estão com juros bem menores, em alguns casos até com taxas reais negativas. Há quem defenda, entretanto, a manutenção da TJLP no nível atual. O argumento é que as taxas de longo prazo devem ser maiores que os juros de curto prazo.

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