Governo deve retirar restrições à banana do Equador

Ministério da Agricultura resistia à liberação da importação, mas deve retirar impedimentos, estabelecendo regras e cotas

VENILSON FERREIRA / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2013 | 02h06

A Câmara de Comércio Exterior (Camex) deve analisar na próxima reunião mensal, em 20 de agosto, a proposta de liberação das importações de banana do Equador. O pedido do governo equatoriano até agora vinha encontrando resistência no Ministério da Agricultura, que deve propor a retirada das restrições sanitárias. Mas, ao mesmo tempo, a pasta deve estabelecer regras para tratamento do produto na origem e cota de acesso ao mercado brasileiro.

A abertura do mercado para o Equador, maior exportador mundial de banana, assusta os produtores brasileiros. O diretor executivo da Associação dos Bananicultores do Vale do Ribeira (Abavar), Ronnei Lima do Nascimento, disse ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, que a liberação "provocará o caos" na região paulista onde 80% da economia é baseada no plantio e comercialização da fruta.

Os produtores relataram suas preocupações ao ministro da Agricultura, Antônio Andrade, em audiência no mês passado com os senadores Eduardo Suplicy (PT/SP) e Luiz Henrique (PMDB/SC), além do deputado federal Nelson Marquezelli (PTB-SP). Ronnei Lima disse que na próxima semana os produtores voltarão a Brasília, desta vez para se reunir com os ministros do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, e das Relações Exteriores, Antonio Patriota.

O principal argumento dos produtores para tentar evitar a concorrência equatoriana é o risco de doenças. Eles entregaram ao ministro Andrade um estudo que aponta pelo menos seis pragas que podem ser devastadoras para a bananicultura brasileira e cita um fungo altamente resistente aos pesticidas usados para controlar a sigatoka negra, doença existente no Brasil.

Entrada no Mercosul. Segundo comentários de bastidores, a questão da abertura do mercado para a banana equatoriana estaria relacionada às negociações para a entrada do país no Mercosul, além de contribuir para atenuar a diferença no comércio bilateral, que é altamente favorável ao Brasil. No ano passado, o Equador exportou para o mercado brasileiro US$ 133 milhões e importou US$ 898,5 milhões.

A banana é o segundo produto da pauta das exportações equatorianas, com receita de US$ 2,1 bilhões no ano passado, superada apenas pelos US$ 13,8 bilhões obtidos com as vendas externas de petróleo.

As estatísticas da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) mostram o Brasil em quarto lugar entre os maiores produtores de banana, com 7,3 milhões de toneladas, atrás da Índia (29,6 milhões de toneladas), China (10,7 milhões de toneladas), Filipinas (9,1 milhões de toneladas) e Equador (7,4 milhões de toneladas). Enquanto o Equador exporta 5 milhões de toneladas, as vendas externas brasileiras de banana somam pouco mais de 100 mil toneladas.

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