Dida Sampaio/Estadão
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Governo discute blindagem de equipe econômica em meio à crise política

Furacão da crise pegou o País no início, ainda frágil, do processo de retomada econômica no primeiro trimestre do ano

Adriana Fernandes e Idiana Tomazelli, O Estado de S.Paulo

18 de maio de 2017 | 13h28

BRASÍLIA - Qualquer que seja o desfecho da crise política deflagrada pelas acusações contra o presidente Michel Temer, na área econômica do governo a percepção é da necessidade de um sinal rápido de continuidade da política econômica adotada desde o início da gestão peemedebista.

O tema foi ponto central das reuniões que aconteceram nesta manhã, ainda sob o impacto das revelações de Joesley Batista, dono da JBS, contra o presidente Temer. A estratégia é blindar a equipe econômica e evitar uma desorganização ainda maior da economia. O furacão da crise pegou o País no início, ainda frágil, do processo de retomada econômica no primeiro trimestre do ano.

AO VIVO: Acompanhe a repercussão das denúncias

Banco Central e Ministério da Fazenda acertaram uma ação conjunta para enfrentar a volatilidade e já começaram a agir, com suspensão de venda de títulos do Tesouro e operações de swap, que equivale a venda de dólares no mercado futuro. A equipe econômica está pronta para usar todos instrumentos disponíveis, mas a venda de reservas internacionais é última opção delas.

No radar, a preocupação maior com uma rápida contaminação do projeto econômico pela crise política. As votações das reformas - tanto a previdenciária quanto a trabalhista - já estão completamente comprometidas e investidores estrangeiros saem do País.

As denúncias já envolveram o Banco Central com a publicação de notícias de que o presidente Michel Temer teria antecipado, ao empresário Joesley Batista, da JBS, o resultado de encontro do Comitê de Política Monetária (Copom), no qual a instituição cortou a Selic em 1 ponto porcentual.

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O BC reagiu respondendo quase de imediato. Soltou nota dizendo que "as decisões do Copom são tomadas apenas durante as suas reuniões e são divulgadas imediatamente após seu término por meio de Comunicado no sítio do Banco Central da internet".

Também há um receio de que as denúncias atinjam o próprio ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que já atuou no conselho de administração da J&F, holding da JBS.

Candidato. Por outro lado, em meio à quantidade enorme de rumores em Brasília hoje, alguns negociadores das reformas já falam nos bastidores no nome de Henrique Meirelles como uma opção para assumir a Presidência da República, caso Temer deixe o cargo. Nesta hipótese, o Congresso Nacional seria o responsável por eleger o próximo presidente, de forma indireta.

Desde ontem, o calendário de negociações da reforma da Previdência parou completamente. Técnicos admitem que não há condição alguma de dar prosseguimento aos debates internos e às tratativas para eventuais mudanças no texto ao plenário. A situação é de paralisia.

No Senado, técnicos continuaram ainda ontem trabalhando no relatório do senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES) sobre a reforma trabalhista, mas hoje já foram avisados de que o andamento da proposta está suspenso.

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