Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Estadão Digital
Apenas R$99,90/ano
APENAS R$99,90/ANO APROVEITE

Governo discute hoje independência de gás

O Brasil já buscava sua independência no gás antes do início da crise com a Bolívia. Esses planos, porém, serão acelerados, em virtude das medidas adotadas pelo país vizinho - nacionalização da produção de hidrocarbonetos (gás e petróleo). Mas haverá ainda um conjunto de alternativas de curto prazo que ficarão à mão, caso as negociações com os bolivianos caminhem mal. É isso o que vai ser discutido durante reunião desta quinta-feira do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), que será realizada no Palácio do Planalto, com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.De toda a matriz energética brasileira, o gás é o único produto em que o País ainda não é auto-suficiente. Os demais - petróleo e derivados, energia hidrelétrica, biomassa, urânio e carvão mineral - a produção nacional é suficiente para fazer frente ao consumo.Entre as medidas de curto prazo, estão a substituição do gás por etanol ou por óleo combustível nas usinas térmicas. Há também a possibilidade de importar gás liquefeito de outros mercados, como África. O produto seria transportado em navios "gaseiros", que já têm um equipamento próprio para converter líquido em gás e injetá-lo nos gasodutos. Para um prazo um pouco mais longo, será discutida a possibilidade de antecipar a produção de gás na bacia de Santos, de 2008 para 2007. O mesmo seria feito em outras reservas existentes no País, de forma a ampliar rapidamente o fornecimento interno de gás.Regaseificação A Petrobras também tem planos para implantar pelo menos três unidades de regaseificação (uma no Norte, uma no Nordeste e uma no Sul do Brasil). Essas plantas servem para converter gás liquefeito em gás, e levam de um ano e meio a dois anos para serem construídas, a um custo aproximado de US$ 250 milhões cada. As unidades de regaseificação fazem parte de um plano de mais longo prazo, que prevê a interligação de fontes de gás e mercados consumidores na América do Sul. Desse plano mais amplo consta a construção do polêmico Gasoduto do Sul (que ligaria Venezuela a Argentina, passando pelo Brasil). O sistema integraria ainda as reservas do Peru e o mercado consumidor chileno. Nessa malha continental de gasodutos, as unidades de regaseificação serviriam para aumentar a segurança no abastecimento. Segundo um dos participantes do CNPE, esses são planos que já estão em elaboração há algum tempo. "Não é coisa que começamos a fazer em 1º de maio", comentou. No dia 1º de maio, o presidente da Bolívia, Evo Morales, baixou um decreto que nacionalizou as refinarias do país. Ponto centralEmbora prometa concentrar as atenções, a questão do gás não é o ponto central da reunião desta quinta-feira. Oficialmente, a pauta é para discutir um plano de 30 anos para todo o setor energético do Brasil. Ele contempla a expansão de gasodutos e medidas para fortalecer outros produtos da matriz energética, como é o caso da biomassa. Hoje, a biomasssa (etanol, lenha e outros) responde por 29,7% da matriz energética brasileira, contra 9,3% do gás, 38,4% de petróleo e derivados, 15% de hidrelétricas, 1,2% do urânio e 6,4% do carvão mineral. No plano de 30 anos está a discussão, por exemplo, sobre quanto do território nacional poderá ser ocupado com plantio de cana. Outro ponto é a possibilidade de aumentar o uso do biodiesel, elevando o porcentual de mistura no diesel para 5%. Na área hidrelétrica, serão discutidos projetos de novas usinas. Duas usinas projetadas pelo governo, a de Belo Monte e a do rio Madeira, adicionarão ao sistema uma quantidade de energia equivalente a duas vezes o fornecimento da Bolívia. O potencial hidrelétrico total do País é o terceiro maior do mundo, perdendo apenas para Rússia e China. Nesses dois, porém, a exploração é economicamente mais cara do que no Brasil.

Agencia Estado,

18 de maio de 2006 | 14h35

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.