Jim Lo Scalzo/EFE
Jim Lo Scalzo/EFE

EUA dizem que mantêm apoio ao Brasil na OCDE

Na terça-feira, expectativa de que americanos oficializassem pedido em reunião foi frustrada

Beatriz Bulla, correspondente, O Estado de S.Paulo

08 de maio de 2019 | 00h30
Atualizado 08 de maio de 2019 | 21h59

WASHINGTON - O endosso dos Estados Unidos ao desejo do Brasil de se candidatar a uma vaga de membro pleno da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) está mantido, segundo declaração oficial do governo americano desta quarta-feira. A manifestação vem um dia após o governo brasileiro ter frustradas as expectativas de que os americanos formalizassem em reunião do grupo desta semana que apoiam a candidatura do País, para começar o processo de adesão.

“Os Estados Unidos apoiam o Brasil a iniciar o processo de adesão para se tornar um membro pleno da OCDE. Conforme declaração conjunta do presidente dos Estados Unidos e do presidente Jair Bolsonaro, acolhemos reformas econômicas, melhores práticas e uma estrutura regulatória conforme os padrões da OCDE”, afirmou a secretária adjunta de Estado para Assuntos do Hemisfério Ocidental, Kim Breier. A secretária esteve no Brasil depois da posse de Bolsonaro e foi uma das responsáveis pela condução de negociações entre os dois países que deram origem à declaração conjunta de Donald Trump e Bolsonaro em março.

Mas os americanos não explicaram, até o momento, quando isso vai entrar oficialmente nos registros. Ao Brasil, nos bastidores em conversas com integrantes do Itamaraty e por meio da declaração de Kim Breier, o governo Trump sinalizou que nada mudou no compromisso assumido, mas há impasses com a União Europeia para dar prosseguimento à entrada de novos membros.

Até a publicação desta reportagem, o governo americano não havia respondido questionamentos enviados pelo Estado sobre quando o suporte dos EUA ao Brasil será oficializado.

Trunfo

O apoio do governo Trump à entrada do Brasil na OCDE foi considerado pelo governo brasileiro o grande trunfo de Bolsonaro na Casa Branca. A entrada no organismo, considerado o “clube dos países ricos” é defendida pelo time econômico de Paulo Guedes como um selo de confiança da comunidade internacional nos padrões brasileiros. O ministro da Economia entende que a adesão ao grupo tem capacidade de atrair investimentos ao Brasil.

O endosso também exigiu uma concessão por parte dos brasileiros: a concordância em deixar de perseguir o status de negociação preferencial na Organização Mundial do Comércio (OMC), a qual o Brasil tem direito por ser um país em desenvolvimento. A contrapartida faz parte da agenda do governo americano de pressão por uma reforma da OMC.

Nesta semana, contudo, a delegação de diplomatas americanos se manteve em silêncio em reunião da OCDE sobre o apoio à adesão do Brasil. A expectativa em Brasília é de que até o final do mês, quando a organização faz sua conferência anual, negociações internas entre EUA e europeus avancem para que o processo de adesão do Brasil comece a andar oficialmente.

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