Governo diz que ainda dá para crescer 3%

Equipe econômica avalia que crescimento depende do consumo e dos investimentos

IURI DANTAS, BEATRIZ ABREU, MARCELO DE MORAES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

07 de julho de 2013 | 02h07

Os Estados Unidos devem sair em breve da crise financeira iniciada em 2008. Ao mesmo tempo, problemas fiscais na Europa e uma desaceleração da China indicam uma lenta retomada global. Esse cenário, descrito por uma qualificada fonte da equipe econômica, levou o governo a traçar um diagnóstico: o setor externo não auxiliará no crescimento. E como antídoto, a economia continuará dependendo do mercado doméstico. Tanto do consumo das famílias, quanto do investimento privado, com as concessões.

O governo vai manter em 3% a previsão de crescimento da economia quando enviar ao Congresso o relatório bimestral sobre o Orçamento no fim do mês. O Banco Central reviu a projeção para 2,7%, mas a equipe econômica pretende manter a expectativa de maior crescimento como um esforço a ser perseguido.

O governo avalia que a economia teve um desempenho melhor no segundo trimestre, apesar da queda pontual da produção da indústria em maio. Fontes ressaltam a resistência industrial na média de três meses.

Aos poucos, o setor de manufatura estaria se recuperando.

Segundo o IBGE, a economia brasileira cresceu 0,6% e ficou abaixo das expectativas. Na contabilidade dos técnicos, pesa como fator favorável o fato de que o segundo semestre terá mais dias úteis que o primeiro semestre. E isso pode indicar maior produção e consumo.

Exportações. O governo não aposta nas exportações para sustentar o crescimento, apesar da valorização do dólar frente ao real. O crescimento puxado pelo consumo das famílias será mais lento, mas ainda tem espaço para crescer. Nos últimos meses, o maior endividamento e o freio no crédito bancário limitaram a expansão do consumo, mas essa situação aos poucos apresenta melhora, de acordo com uma alta fonte da equipe econômica.

A grande esperança de um crescimento mais acelerado está nos investimentos atrelados ao programa que concederá para a iniciativa privada 10 mil quilômetros de ferrovias, 7.500 quilômetros de rodovias, centenas de terminais portuários e campos de petróleo e gás. A carta de ouro na manga da equipe de Dilma Rousseff é o campo de Libra, cujo tamanho e atratividade para investidores só perde para depósitos na Arábia Saudita, que não vão a leilão.

Nesse cenário, de baixo aumento do consumo e grande expectativa para investimentos, o governo avalia que foi até onde pôde. Vai cortar gastos de custeio da máquina e adiar alguns investimentos públicos.

Mas bateu o martelo e vai manter cortes de impostos e o Minha Casa Melhor, a linha de crédito barato para mutuários do Minha Casa, Minha Vida mobiliarem os imóveis com eletrodomésticos e móveis.

Inflação. A retração nas vendas do varejo no início do ano, influenciada pela alta dos preços, fez o governo direcionar todas as baterias para o combate à inflação. A crise de credibilidade que abala a política fiscal dificulta o trabalho e há consciência de que será preciso entregar resultados antes de comemorar. Ninguém esquece de que o BC promove um ciclo de aumento dos juros que, torce o governo, causará pouco impacto na atividade econômica. A ordem é evitar gastos públicos que joguem mais lenha na inflação.

Outra medida que cria forte expectativa em Brasília é o desmonte de aumentos de Imposto de Importação concedidos para proteger alguns setores da competição externa.

Espera-se, com isso, o recuo de empresários que elevaram os preços em até 20% na ausência de concorrentes internacionais.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, confirmou essa estratégia na sexta-feira e anunciou que o governo deve bloquear R$ 15 bilhões em gastos do Orçamento neste ano. Não deve ser a última vez.

A ordem é fazer um acompanhamento "na boca do caixa" e se Estados e municípios descumprirem sua parte no esforço fiscal, por exemplo, a União pode ser obrigada a abrir mão de outros R$ 20 bilhões em gastos ou investimentos.

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