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Governo e Parente dizem que não haverá mudança na política de preços da Petrobrás

Segundo o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia,ainda não há decisão tomada sobre medidas do governo para reduzir os valores cobrados pelos combustíveis na bomba; 'em hipótese nenhuma passou pela cabeça do governo pedir qualquer mudança', afirmou presidente da Petrobrás

O Estado de S.Paulo

22 Maio 2018 | 11h58

O ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, rechaçou nesta terça-feira, 22, que o governo tenha solicitado mudanças na política de preços da Petrobrás. Ele disse que ainda não há decisão tomada sobre medidas do governo para reduzir os valores cobrados pelos combustíveis na bomba. Desde que a estatal iniciou sua nova política de preços, em 3 de julho do ano passado, o óleo diesel subiu 56,5% na refinaria. Segundo o sindicato do caminhoneiros, isso tornou inviável a atividade da categoria. Por conta disso, os caminhoneiros protestam por todo o País. 

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"Em nenhum momento o governo solicitou que a Petrobrás alterasse a política de preços, nós não pedimos isso para a Petrobrás. Apenas solicitamos ao presidente Pedro Parente que viesse aqui para trazer mais informações sobre esse tema", afirmou Eduardo Guardia. 

Já o ministro de Minas e Energia, Moreira Franco, disse que o governo terá de apresentar no curto prazo soluções para baixar o preço da gasolina, mas não quis antecipar quais. "Tem que sair uma solução né, mas deixa o cara falar", afirmou, em referência ao ministro da Fazenda, Eduardo Guardia. 

 

Guardia falou. Depois de dizer na segunda-feira que não há espaço para reduzir os tributos que incidem sobre os combustíveis, ele voltou a tratar do assunto: "de fato o espaço fiscal é muito reduzido", completou.

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Estatal. Qualquer mudança, no entanto, não será feita no âmbito da estatal, afirmou o próprio presidente da Petrobrás, Pedro Parente, após reunião com o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia. Parente ainda garantiu que o governo não tem o objetivo de pedir qualquer mudança na política de preços ou na frequência de ajustes. "Isso nunca foi considerado. Câmbio e preços mudam diariamente, esses fatores não são provocados pela Petrobrás", completou. 

"Ficou esclarecido na reunião que, em hipótese nenhuma, em nenhum momento, passou pela cabeça do governo pedir qualquer mudança na política de preços da Petrobras. Não houve discussão em relação à política", afirmou.

Segundo o presidente da estatal, o governo pediu informações sobre a dinâmica do mercado para considerar "eventuais medidas". "Outras medidas serão discutidas posteriormente, mas não no âmbito da Petrobrás. O governo está preocupado com os preços e está procurando ver o que pode ser feito no nível dele", afirmou.

Ele também negou que a redução nos preços do diesel e da gasolina anunciada hoje pela Petrobrás tenha sido em virtude de pressão do governo. "Imagina, a redução de hoje é simples de entender, houve uma redução importante no câmbio", acrescentou.

O conselho de administração da Petrobrás vai se encontrar amanhã para participar de reunião ordinária e o tema dos preços dos combustíveis "certamente será tratado", segundo fontes da empresa. Os gestores da petroleira, diretores e conselheiros, não trabalham com a hipótese de mudanças na política que vigora desde 3 de julho do ano passado, em que os valores são revistos diariamente.

A posição interna é que a independência da companhia para ditar seus preços é o pilar da administração do presidente Pedro Parente e que possíveis mudanças não são avaliadas. Mesmo diante das reivindicações dos caminhoneiros, que realizam protestos em diferentes pontos do País contra o encarecimento do óleo diesel, e da movimentação do governo para estudar uma saída que alivie as altas ao consumidor neste período de valorização do petróleo e dos seus derivados. Questionados sobre a entrega de cargos caso o governo imponha uma intervenção política na companhia, as fontes foram enfáticas em afirmar que essa possibilidade nunca foi insinuada./LORENNA RODRIGUES, IGOR GADELHA, VERA ROSA E JULIA LINDER

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