Governo diz que seca ainda não causou danos

BRASÍLIA - A estiagem prolongada ainda não causou danos à produção de grãos no Brasil, afirmou uma fonte graduada do governo ao Estado. Técnicos que acompanham diariamente os preços no mercado doméstico apontam que o efeito é "praticamente nulo" em culturas permanentes, como café, cana e laranja, e até "benéfico" no caso de hortifrútis.

João Villaverde, O Estado de S.Paulo

11 de fevereiro de 2014 | 02h07

As hortaliças e tubérculos, que normalmente têm sua produção afetada justamente pelo excesso de chuvas que sazonalmente caem nos meses de janeiro e fevereiro, estão em abundância maior neste início de 2014, já que a seca permitiu uma produção maior. Com mais hortifrútis, os preços têm caído, e isso tem sido visto com bons olhos em Brasília. No ano passado, foi o inverso: a inflação abriu o ano em ritmo explosivo justamente por causa dos alimentos.

A data tida como crítica pelo governo federal é 18 de fevereiro.

Se as chuvas não voltarem em volume elevado a partir desse dia, a situação para os produtores pode se deteriorar. Até lá, disse uma fonte diretamente envolvida no assunto, não haverá nenhum "estresse hídrico".

Há sinais de preocupação, também, com o possível risco de racionamento de água no Estado de São Paulo, o que afetará diretamente a irrigação da terra produtiva. Mas as informações de que dispõem os técnicos federais são de otimismo com o quadro paulista.

Apostas. O efeito financeiro sobre os preços das commodities tem ocorrido apenas no café. Investidores preocupados com uma possível quebra de produção têm apostado na alta dos preços em negociações de contratos futuros.

"O efeito tem sido até positivo", lembrou uma fonte do governo ontem: "Porque a produção continua igual, mas os preços no mercado aumentaram um pouco, então o produtor está remunerando melhor o seu produto".

Por meio de nota, o Ministério da Integração Nacional elencou as ações tomadas pela pasta desde 2011. No caso específico da estiagem verificada neste momento, no entanto, o ministério afirmou que 837,5 mil agricultores de 921 municípios do semiárido receberam em janeiro o "garantia safra", benefício válido até abril deste ano para os agricultores com renda de até 1,5 salário mínimo que tiveram perdas na safra 2012/2013. As parcelas de R$ 140 a R$ 155 mensais são feitas pela Caixa.

As demais ações de "socorro às vítimas da estiagem" elencadas pelo ministério são tocadas desde 2011.

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