Governo dos EUA anuncia maior reforma desde crise de 1929

Plano anunciado pelo Tesouro nesta segunda vai mudar o sistema de regulamentação financeira norte-americano

Associated Press,

31 de março de 2008 | 12h41

O governo norte-americano anunciou nesta segunda-feira, 31, a maior reforma no sistema de regulamentação financeira desde 1929, quando o país enfrentou a Grande Depressão. O plano vai mudar a forma como o governo regulamenta milhares de negócios, desde os grandes bancos e fundos de investimento até os seguros e hipotecas.   Veja também: Cronologia da crise financeira  Entenda a crise nos Estados Unidos   O sobe e desce do dólar  Veja os efeitos da desvalorização do dólar   O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Henry Paulson, anunciou o plano de 218 páginas em um discurso nesta segunda. Segundo ele, um sistema financeiro forte é importante não apenas para Wall Street mas também para os trabalhadores americanos.   O plano do governo gerou críticas dos Democratas, que não acreditam que ele seja tão profundo para lidar com os abusos nos acordos de hipotecas expostos pela atual crise de crédito.   O plano, que precisará de aprovação do Congresso para as mudanças maiores, tem como objetivo atualizar a estrutura do sistema, estabelecida na Guerra Civil.   O projeto também daria ao Federal Reserve mais poder para proteger a estabilidade do sistema financeiro, enquanto que a supervisão bancária diária estaria a cargo de uma agência, e não de cinco, como acontece atualmente.   O plano também contempla a criação de uma super agência encarregada da conduta empresarial e da proteção dos consumidores, a qual realizaria muitas das funções da atual Comissão de Valores e Câmbio.   O plano também eliminaria o caráter federal das poupanças, desdobrando a Agência de Supervisão de Instituições de Poupança - Office of Thrift Supervision - ao órgão regulador bancário nacional, a Autoridade Controladora da Moeda.   O projeto prevê ainda a criação de uma Comissão federal de Originação Hipotecária que estabeleça padrões mínimos recomendados para corretores de hipotecas, muitos dos quais operam atualmente fora da regulamentação federal; e também daria os primeiros passos para um regulação federal da indústria de seguros dentro do Departamento do Tesouro.   Paulson admitiu no discurso que a maioria das mudanças só ocorrerá depois de um intenso debate no Congresso, deixando ao próximo governo a negociação das maiores alterações propostas.

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