Jonathan Ernst/Reuters
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Governo dos EUA e Congresso fecham acordo para elevar teto da dívida

Limite de endividamento deve ser atingido na próxima semana, o que pode deixar o país sem dinheiro para honrar compromissos

O Estado de S. Paulo

27 Outubro 2015 | 09h53

WASHINGTON - O governo dos EUA e líderes do Congresso chegaram a um acordo preliminar na segunda-feira sobre um plano orçamentário de dois anos que prevê a elevação do teto da dívida federal.

Se for aprovado no Congresso, o pacto permitirá ao presidente da Câmara dos Representantes, o republicano John Boehner, solucionar dois dos obstáculos fiscais mais espinhosos antes de deixar o cargo, nesta semana. Caso o acordo não seja endossado, o governo estará sujeito a não conseguir pagar todas as suas contas a partir da próxima semana.

O plano foi elaborado de forma a eliminar o risco de o governo anunciar uma moratória e diminuir a possibilidade de um fechamento parcial de suas operações em dezembro. O acordo também suspende o limite de endividamento até meados de março de 2017 e eleva os gastos em US$ 80 bilhões até setembro daquele ano.

Os congressistas precisam aprovar projetos de gastos mais detalhados até dezembro, provavelmente numa iniciativa conjunta da Câmara e do Senado.

No próximo dia 3 de novembro, o Tesouro dos EUA vai esgotar medidas emergenciais de gerenciamento de caixa que vem adotando desde março se o teto da dívida federal não for elevado. O Congresso, por sua vez, tem prazo até 11 de dezembro, quando chega ao fim o financiamento para o governo. Fonte: Dow Jones Newswires.

Para entender
Os EUA e o teto da dívida
Os EUA e o teto da dívida

O limite para o orçamento americano está previsto em lei desde 1917. Assim, a elevação do teto da dívida é um fato rotineiro. Desde 1939, quando foi estabelecido o modelo atual, esse limite foi elevado cerca de cem vezes. O presidente Barack Obama, por exemplo, mal começou seu primeiro mandato, em 2009, e teve de elevar o teto da dívida americana, de US$ 11,3 trilhões para US$ 12,1 trilhões. Desde 2008, os EUA vêm registrando uma arrancada da dívida pública, fato que se deve, majoritariamente, ao déficit fiscal: ou seja, o governo está gastando mais do que arrecando.Em outubro de 2013, o país correu sério risco de deixar de pagar suas dívidas, uma vez que Congresso e Casa Branca não entravam em acordo para elevar o teto do endividamento, à época calculado em US$ 16,7 trilhões. No último minuto, porém, houve um trato bipartidário no Congresso e o teto da dívida federal foi elevado, afastando a chance de calote.Hoje, o teto da dívida pública está em US$ 18,1 trilhões. A dívida já chegou a esse patamar e corresponde a 102,9% do PIB.

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