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Governo dos EUA resgata o Citi

As ações do Citigroup, o segundo maior banco dos Estados Unidos, dispararam ontem quase 58%, depois que o governo americano anunciou um plano para resgatar a instituição. Na semana passada, as incertezas sobre o futuro do grupo reduziram em 60% seu valor de mercado na Bolsa de Nova York. A operação de socorro foi celebrada pelos investidores e provocou altas expressivas dos principais índices acionários globais. O Índice Dow Jones, o mais tradicional dos EUA, avançou 4,93% e o Índice da Bolsa de Valores de São Paulo, 9,4%. O programa do governo prevê a injeção imediata de US$ 20 bilhões e dá garantias de até US$ 306 bilhões a ativos "tóxicos" do Citi. Caso esses ativos resultem em perdas, o grupo será responsável pelos US$ 29 bilhões iniciais e o restante será dividido na proporção de 90% (governo) e 10% (banco). A maior parte desses papéis é lastreada em hipotecas de alto risco (subprime).No mês passado, o Citigroup já havia recebido US$ 25 bilhões do governo americano no âmbito do Programa de Alívio de Ativos Problemáticos (Tarp, na sigla em inglês). O programa, que conta com US$ 700 bilhões, foi criado pelo secretário do Tesouro, Henry Paulson. Inicialmente, o objetivo era comprar papéis "podres" das instituições financeiras. Paulson, porém, mudou de idéia e informou há duas semanas que parte do dinheiro será injetada diretamente no capital dos bancos. Com a operação, anunciada na madrugada de ontem, o governo passa a ter uma fatia de 7,8% no Citigroup.O presidente dos EUA, George W. Bush, disse que o resgate foi necessário para "salvaguardar" o sistema financeiro. Segundo ele, o governo pode adotar medidas semelhantes no futuro (com outras instituições). "Essas ações devem acalmar os investidores que estão nervosos em relação à empresa (Citigroup)", afirmou o analista David Hendler, da CreditSights. Para Gavin Graham, diretor de investimentos da BMO Asset Management, "as autoridades vão fazer o que sentirem que for necessário para assegurar que a Grande Depressão não vai voltar". Na semana passada, o Citigroup informou que vai demitir 52 mil funcionários, o que equivale a 15% da força de trabalho. Logo depois de divulgar esse plano, o presidente mundial do grupo, o indiano Vikram Pandit, viajou ao Brasil. Ele ficou no País por menos de 48 horas, tempo suficiente para afirmar que a filial brasileira não deve ser afetada pelos cortes.Fundado em 1812, o Citi foi durante muito tempo o maior banco do mundo. Segundo a empresa de informações financeiras Economática, chegou a ter um valor de mercado de US$ 281 bilhões, em 2001. Na sexta-feira, valia US$ 20,5 bilhões. Afetado pela crise das hipotecas, perdeu mais de US$ 20 bilhões em um ano.

Leandro Modé, O Estadao de S.Paulo

25 de novembro de 2008 | 00h00

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