Governo dos EUA vai controlar o Citi

O governo americano deu o maior passo até agora na direção de aumentar a participação estatal no sistema bancário, ao fechar um acordo pelo qual deverá deter o controle do Citibank, com até 36% do capital votante, sem injetar dinheiro novo. Há expectativa, desmentida por enquanto pelo governo, de que o modelo de intervenção seja aplicado a outros bancos em dificuldade, como o Bank of America. O acordo foi anunciado com a divulgação de que o prejuízo do Citi em 2008 já está em US$ 27,7 bilhões, com US$ 10 bilhões em perdas adicionais no quarto trimestre. O plano prevê que o governo, que já injetou mais de US$ 50 bilhões no banco na atual crise, converta parte das ações preferenciais que adquiriu em ações ordinárias (votantes), até um máximo de US$ 25 bilhões. Com isso, o governo se tornará, disparado, o maior detentor do capital votante do Citi.A mesma troca está sendo oferecida a investidores privados do Citi, como a Corporação de Investimentos do governo de Cingapura e o príncipe saudita Alwaleed bin Talal, até um máximo de US$ 27,5 bilhões. O governo, na verdade, converterá um total idêntico ao dos investidores privados, mas com aquele teto de US$ 25 bilhões. Todas as conversões serão feitas a US$ 3,25 a ação, o que é 32% a mais que o fechamento da quinta-feira. A operação vai aumentar o capital ordinário do Citi de US$ 29,7 bilhões (do último balanço) para um máximo de US$ 81 bilhões. Somado a 8% que já detinha, o governo americano chegará a 36%, caso converta tudo a que tem direito. O atual capital ordinário do banco na mão dos investidores corresponderá a apenas 26% das ações ordinárias (supondo uma conversão completa do governo e dos investidores privados), numa grande diluição para os acionistas com direito a voto. As proporções entre esses números não fecham exatamente, por causa de detalhes técnicos adicionais.Apesar do virtual poder de mando adquirido, o governo americano e o próprio Citi deram sinais de que a administração do dia a dia do banco continuará em mãos privadas. "Nós vamos administrar o Citi para os acionistas", disse ontem Vikram Pandit, o principal executivo do banco, mantido no posto. O governo, porém, já vem interferindo na gestão, antes mesmo da operação anunciada ontem. "O governo não quer entrar na estratégia, mas tem vetado uma série de coisas", observa Armando Castelar, analista do Gávea Investimentos. Já houve bloqueio de decisõesobre remuneração e aquisição de um avião, além de pressões para a venda de subsidiárias.Também ficou decidido que a maioria do Conselho de Administração será formada por independentes, que não representam nenhum grupo de acionistas. As ações do Citi fecharam ontem em US$ 1,50, em queda de 39,02%, na esteira da diluição causada pelo acordo.

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