Governo dribla até o FMI

Com uma queda real da renda, muitos gregos passaram a estudar fórmulas complexas para voltar a ter o mesmo salário e garantir recursos para pagar as dívidas. Adrian Mitri, um economista do Ministério das Finanças, já está calculando se valeria pena pedir demissão e buscar um emprego no setor privado. "Fui informado que meu salário passará de 2 mil para 1,2 mil."

O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2011 | 03h06

Muitas famílias começaram a retirar suas economias nos bancos para poder pagar as contas. Em um ano, os gregos sacaram mais de 40 bilhões. Um total de 330 bilhões - o mesmo tamanho do PIB do país - seriam os ativos dos gregos no exterior.

A crise obriga os gregos a praticar malabarismos. Já no serviço público, o governo dribla até o FMI. Pelas exigências do Fundo, 20 mil pessoas teriam de ser demitidas neste ano. A meta foi cumprida. Mas quase metade foi recontratada por diferentes órgãos públicos em "cargos de confiança", sem entrar na conta do FMI. Em menos de seis meses, mais de 10 mil cargos de confiança foram criados.

Nos últimos meses, virou rotina a prática de fraudar cheques. Um pequeno comerciante vai ao banco e desconta um suposto cheque recebido de um cliente. Como o sistema leva cerca de três meses para identificar a fraude, o comerciante garante renda pelo menos para pagar as dívidas do período. A multa é repassada ao próximo cheque, rolando a dívida, o crime e mantendo o oxigênio na economia grega, ou pelo menos o que resta dela. / J.C.

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