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Governo e BC japonês divergem sobre resposta à deflação

Diante da apreensão do governo diante de um possível retorno à recessão , banco não estuda medidas

Reuters,

20 de novembro de 2009 | 14h09

O Banco do Japão atualizou para cima sua avaliação econômica na sexta-feira, 20, prenunciando um confronto com o governo, que pressiona por uma resposta à deflação e a um possível retorno à recessão. O governo japonês divulgou um relatório afirmando que a economia está oficialmente em deflação pela primeira vez desde 2006, e o ministro das Finanças disse querer que o Banco do Japão "responda de maneira apropriada".

 

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Tendo rejeitado no mês passado apelos do governo para dar apoio aos mercados de crédito, o banco central pode dentro em breve se ver pressionado a comprar mais títulos do governo, à medida que os rendimentos em alta ameaçam a recuperação econômica, disseram analistas.

 

"Ao declarar que o Japão está em deflação, o governo está tentando persuadir o Banco do Japão a tomar medidas", disse Takeshi Minami, economista-chefe do Instituto Norinchukin de Pesquisas. "No momento, o presidente do banco não parece estar levando muito a sério as quedas nos preços. Ou, pelo menos, o Banco do Japão não parece estar querendo tomar mais medidas. Acho que o governo está tentando mudar isso."

 

O banco central manteve sua taxa de referência em 0,1%, após uma revisão de dois dias de sua política, e pareceu sugerir que agora cabe ao governo tomar outras medidas. "A causa das quedas contínuas nos preços é a demanda fraca", disse o presidente do banco, Masaaki Shirakawa, em coletiva de imprensa depois de o governo ter divulgado seu relatório.

 

Shirakawa disse que o banco central está fazendo tudo o que pode para garantir liquidez à economia, incluindo a manutenção dos juros muito baixos. "Quando a própria demanda está fraca, os preços não vão subir simplesmente com a garantia de liquidez", disse ele.

 

O Banco do Japão compra 21,6 trilhões de ienes (US$ 243 bilhões) em títulos do governo japonês todos os anos e reluta em aumentar esse volume, argumentando que seu estoque de dívida governamental já se aproxima do limite auto-imposto.

 

Os rendimentos crescentes das obrigações e o risco de uma revisão para baixo do crédito vêm dificultando os esforços do governo para estimular a economia e evitar o que ele teme possa ser uma segunda recessão no início do próximo ano. A dívida do governo japonês, equivalente a quase 200 por cento do PIB, já é a maior de todos os países ricos.

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