Governo e BNDES estudam linha de R$ 500 milhões para pequenas e médias na aviação

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Governo e BNDES estudam linha de R$ 500 milhões para pequenas e médias na aviação

A ideia é utilizar os recursos do Fundo Nacional de Aviação Civil (Fnac) como garantidor desses empréstimos e, no limite, como fonte de financiamento

Amanda Pupo, O Estado de S.Paulo

13 de maio de 2020 | 15h12

BRASÍLIA - O Ministério da Infraestrutura elabora junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) uma linha de crédito de R$ 500 milhões para auxiliar negócios de médio e pequeno porte do setor de aviação, principalmente as empresas de serviços auxiliares e as regionais.

A ideia é utilizar os recursos do Fundo Nacional de Aviação Civil (Fnac) como garantidor desses empréstimos e, no limite, como fonte de financiamento. O secretário nacional de Aviação Civil, Ronei Saggioro Glanzmann afirmou ao Estadão/Broadcast que a proposta deve sair do Ministério da Infraestrutura ainda nesta semana. Em seguida, será analisada pelo Ministério da Economia. “Estamos trabalhando originalmente com R$ 500 milhões, mas vai depender de tratativas com Ministério da Economia”, explicou o secretário

Segundo ele, a linha tem potencial de auxiliar negócios que sustentam quase 40 mil empregos diretos no setor, que são as empresas de serviços auxiliares. Além disso, companhias de aviação regional também poderiam acessar esse crédito, que é voltado para a folha de pagamentos.

Após o aval do Ministério da Economia, a iniciativa de crédito se somará ao financiamento negociado para as grandes companhias aéreas, Gol, Latam e Azul, que devem ter à disposição uma linha de R$ 2 bilhões a R$ 3 bilhões para cada.

De acordo com Glanzmann, o ministério trabalha para que a linha para pequenas e médias saia ainda no mês de maio. Na proposta atual, empresas com receita operacional bruta de R$ 10 milhões a R$ 750 milhões por ano poderão tomar o empréstimo.

Aprovada, a iniciativa deve ser oficializada através de Medida Provisória e decreto, explicou o secretário. Para ele, a linha é de extrema importância porque vai ajudar na manutenção de milhares de empregos. "São empregos do 'chão da fábrica'. É fundamental. Não podemos esquecer dessas pequenas. Se não liberarmos crédito para eles, vai todo mundo para rua", alertou.

Grandes empresas

Já o empréstimo para as grandes companhias, em negociação há semanas, está caminhando, disse Glanzmann. "Não é algo trivial", afirmou. A indefinição está na participação que os bancos podem adquirir nas companhias, o que provocará uma diluição dos atuais acionistas, e a definição do valor do preço médio das ações que será usado como base no acordo. 

Atualmente as negociações projetam uma diluição de até 20%, mas as empresas ainda veem o porcentual como bastante alto. A proposta é desenhada pelo sindicato de bancos, com a liderança do Bradesco.

Se, por um lado, o secretário entende a posição das aéreas em razão do percentual de diluição, ele também pontua que a operação não é fácil para quem empresta, em razão dos riscos envolvidos. "As incertezas são muito grandes. Para os bancos também não é uma tarefa fácil", disse o secretário.

O dinheiro chegará às empresas por meio da emissão de debêntures simples, junto do bônus de subscrição de ações.

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