Christina Rufatto/ESTADAO
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Governo é ineficiente no Congresso, diz cientista político

Segundo Fernando Limongi, da FGV, das onze primeiras medidas provisórias editadas pelo governo Bolsonaro, sete perderam a eficácia por não terem sido votadas

Márcia De Chiara e Francisco Carlos de Assis, O Estado de S.Paulo

12 de setembro de 2019 | 04h00

O governo do presidente Jair Bolsonaro é ineficiente sob o ponto de vista legislativo: ele envia projetos de lei, medidas provisórias, edita decretos, mas não tem muita capacidade de aprová-los. A avaliação foi feita na quarta-feira, 11, pelo cientista político e professor da Escola de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV), Fernando Limongi, durante seminário promovido pela FGV/Ibre e o Estadão, que em um dos painéis abordou o tema “Presidencialismo à Bolsonaro”.

Nas contas do cientista político, das onze primeiras medidas provisórias (MPs) editadas pelo governo Bolsonaro, sete perderam a eficácia por não terem sido votadas. “O governo tem um certo desinteresse pelas próprias propostas que envia ao Legislativo”, afirmou Limongi.

Segundo o cientista político, o governo envia o projeto de lei para o Congresso e deixa lá. “Esta é uma das características do presidencialismo à Bolsonaro e o seu entendimento do que seja a relação entre Executivo e Legislativo.”

Na opinião de Limongi, a agenda do presidente nos últimos tempos se reduziu à agenda familiar: garantir a nomeação do filho Eduardo como embaixador em Washington (EUA) e proteger o filho Flávio das investigações da Polícia Federal e do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras). “A nova política é só para os demais.”

Durante a eleição e nos primeiros meses de governo, havia a expectativa de que o presidencialismo de coalizão, visto de forma bastante negativo, pudesse ser superado, lembrou Limongi.

Fato novo

O professor de economia e pesquisador da FGV/Ibre, Samuel Pessôa, concordou com a avaliação de Limongi sobre a ineficiência do governo no Legislativo. Para ele, o fato novo foi a decisão do Congresso de tocar sozinho a agenda de aprovação da reforma da Previdência. Na sua avaliação, o Legislativo tomou para a si a responsabilidade porque viu a economia não avançar e ficou temeroso do que poderia ocorrer no futuro próximo. A dúvida, disse, é a extensão desse fenômeno.

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