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Governo e montadoras negociam concessões para novas fábricas

Uma das alternativas em estudo, a pedido dos importadores, é reduzir a necessidade de utilizar 65% de autopeças locais para escapar da alta do IPI

RAQUEL LANDIM, O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2011 | 03h05

O governo vai avaliar, a pedido dos importadores, um regime automotivo "alternativo" para as montadoras dispostas a abrir novas fábricas no Brasil. A discussão ainda está em fase inicial, mas pode evitar que esses investimentos sejam cancelados pelo forte aumento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para carros importados.

No dia 15 de setembro, o governo Dilma Rousseff elevou em 30 pontos porcentuais o IPI para os carros importados ou produzidos por montadoras que utilizem menos de 65% de peças fabricadas localmente. Após a medida, montadoras com planos de se instalarem no País anunciaram que poderiam desistir.

Essas empresas agora estão se organizando para apresentar em conjunto uma proposta ao governo. Há várias alternativas em estudo, mas um dos principais pleitos é reduzir a exigência de conteúdo local nos primeiros anos de vida das fábricas. Segundo um importador, é impossível atingir 65% de peças locais no início da operação e porcentuais mais realistas seriam 40% a 50%.

Conforme o Estado apurou, o governo está aberto a avaliar a proposta dos importadores porque não tem interesse em afugentar investimentos que gerem empregos no País. Existe também pressão política de governadores, prefeitos e deputados interessados em atrair para suas regiões as novas montadoras.

Nove fábricas já estão em construção ou em fase de projeto no País, com investimentos que podem chegar a R$ 5 bilhões até 2014. Além da alemã BMW, boa parte dos projetos são de chinesas e coreanas, como Chery, JAC e Hyundai. Essas companhias são consideradas as "novas entrantes" e seriam as eventuais beneficiadas de um regime automotivo "alternativo".

Divisão. O assunto, no entanto, está provocando uma divisão entre os importadores reunidos na Associação Brasileira das Empresas Importadoras de Veículos Automotores (Abeiva). Entre os associados da entidade, há empresas com planos concretos de construir fábricas no País e outras que não pretendem seguir essa estratégia - principalmente importadoras de veículos de luxo como Audi ou Jaguar.

A Abeiva chegou a anunciar que entraria na Justiça contra o IPI, mas liberou suas associadas a agir individualmente. As montadoras em negociação com o governo não têm interesse em comprar uma briga. Outro motivo foi que empresas que importam por meio de tradings não seriam beneficiadas por uma ação judicial da entidade de classe. Duas importadoras já conseguiram liminares para postergar a entrada em vigor do IPI.

A entidade ainda prepara uma proposta ao governo para tentar reverter o aumento do IPI, mas dificilmente a iniciativa será bem sucedida. Executivos da Abeiva se reuniram na semana passada com o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, em São Paulo. Na ocasião, ele deixou claro que o governo não pretende rever a medida.

As montadoras com planos de investir no País também estão agindo com cautela na negociação com o governo. De acordo com um empresário, é importante viabilizar os investimentos, mas não resolve o problema de curto prazo, porque as fábricas vão demorar para sair do papel. "Precisamos das importações para sobreviver até lá", disse.

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