Governo e Petrobras descartam aumento dos combustíveis agora

A ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, reforçou hoje que ainda não há nada definido em relação ao aumento dos preços dos combustíveis. Questionada sobre a pressão exercida pela alta do petróleo nos últimos dias, a ministra disse que o governo está acompanhando o cenário internacional. "Quando tivermos uma posição, nós divulgaremos", afirmou a ministra.Assim como a ministra, o diretor financeiro da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, afirmou que a Petrobrás continua avaliando o mercado internacional de petróleo e ainda não se definiu por um possível reajuste no preços dos combustíveis. Segundo ele, o efeito de uma alta no cenário externo só chega às contas da companhia com a reposição dos estoques, que demoram entre dois e três meses.Ele avalia que a atual disparada dos preços pode não se configurar como uma tendência, mas refletir apenas uma oscilação de preços momentânea no mercado. "Esta alta tem apenas duas semanas", disse o executivo. A empresa aumentou seus estoques no primeiro trimestre, já esperando uma alta nos preços, o que reduziu as perdas da companhia.Defesa do repasse imediatoO diretor do Centro de Economia Mundial da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Carlos Geraldo Langoni, afirmou hoje em São Paulo não acreditar na sustentabilidade dos preços do petróleo nos patamares atuais, mas, apesar disso, defendeu um repasse imediato nos preços no Brasil, já que o impacto desse aumento sempre será negativo para a economia do País.O professor da FGV acha difícil fazer um julgamento preciso sobre a duração dos preços do petróleo nos patamares atuais, mas, acrescentou, "não aposto em uma continuidade". O economista acredita, entretanto, que o custo do petróleo depende da posição da Arábia Saudita, que é o único país com capacidade para aumentar a produção de petróleo em 2 milhões de barris por dia.Ele concorda com alguns analistas estrangeiros de que a Arábia Saudita atua como uma espécie de Banco Central para o petróleo, aumentando ou reduzindo a produção para prevenir movimentos excessivos dos preços. O é o único produtor mundial que conta com uma grande capacidade de produção ociosa, que a Agência Internacional de Energia (AIE) estima em pelo menos 1,5 milhão de barris por dia.

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